Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

25 de March, 2026

Extraditado de Portugal: empresário foragido Abdul Gafar Gulam já está em Maputo

Escrito por

Chegou, esta manhã, à Maputo, a bordo de um Airbus A330-900, da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP), o empresário Abdul Gafar Gulam, extraditado de Portugal, na sequência de um mandado de captura internacional emitido pelas autoridades moçambicanas, disse à Carta de Moçambique, fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR). Estava a bordo do voo TP281, que aterrou no Aeroporto Internacional de Maputo às 07h35m.

A fonte avançou que Abdul Gulam foi detido em Lisboa, tendo as autoridades portuguesas comunicado às suas congéneres moçambicanas, que solicitaram a extradição do arguido. “No dia 26 de Março [amanhã], será presente ao Juiz da Instrução Criminal, para o primeiro interrogatório judicial de arguido preso”, adiantou a fonte da PGR.

As autoridades moçambicanas haviam emitido mandados de captura internacional e, por consequência, o alerta vermelho pela Interpol contra o arguido, sublinhou. Abdul Gafur Gulam encontrava-se em parte incerta, depois de ter sido constituído arguido, no quadro da Operação STOP BC, no âmbito do processo n.º 3/GCCCOT/22, no qual foram constituídos em arguidos 40 indivíduos e 32 sociedades comerciais.

De acordo com a acusação do Ministério Público, os arguidos são indiciados pela prática dos crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal, associação criminosa, falsificação e uso de documentos falsos. Abdul Gafar Gulam terá criado cerca de oito empresas de fachada, usando terceiras pessoas, incluindo moçambicanos e estrangeiros.

Por intermédio de suas “testas-de-ferro”, o arguido Abdul Gafar Gulam abriu contas em diferentes bancos comerciais, através dos quais passou a receber elevadas somas de dinheiro, maioritariamente, por depósito em numerário e cheques.

“Sem que as referidas empresas tivessem efectivamente exercido alguma actividade comercial para a qual teriam sido supostamente criadas, passaram a transferir montantes para várias jurisdições estrangeiras, entre as quais Portugal, Turquia, China, Hong Kong, Maurícias, Tailândia, Japão, Emirados Árabes Unidos e Malásia, alegadamente para pagamento de mercadorias que nunca, efectivamente, foram importadas, ou seja, nunca deram entrada no território aduaneiro moçambicano, prejudicando deste modo, o Estado moçambicano que se viu privado de arrecadar os impostos devidos”, refere-se no texto.

Para justificar as transferências de valores ao estrangeiro e dissimular a falta de entrada da mercadoria em Moçambique, Gulam, contando com auxílio de alguns despachantes aduaneiros e alguns colaboradores de bancos comerciais, forjou termos de compromisso de intermediação bancária, facturas proformas supostamente de fornecedores, e documentos únicos das Alfândegas, que, posteriormente, os apresentou junto aos bancos comerciais e entidades públicas.

Abdul Gafar Gulam, com recurso a este “modus operandi”, transferiu para o estrangeiro, entre 2019 e 2022, o equivalente a cerca de 140 milhões de dólares americanos, alegadamente para compra de mercadorias que nunca foram desembaraçadas no território aduaneiro nacional.

Com a criação de empresas em nome de terceiras pessoas que nunca operaram no país, o arguido “provocou prejuízos ao Estado moçambicano, colocando em causa a estabilidade do sistema financeiro nacional e da economia nacional”, refere-se na acusação.

Visited 1,053 times, 1 visit(s) today

Sir Motors