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5 de December, 2025

Governo promete investigar alegado uso de antirretrovirais na criação de frango em Tete

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O Governo garantiu, esta quinta-feira, estar a investigar as denúncias de alegado uso de medicamentos antirretrovirais na criação de frangos, na província de Tete. A suspeita surgiu após um estudo da organização Galamukani apontar que alguns produtores locais estariam a misturar os antirretrovirais, medicamentos usados para o tratamento do HIV e SIDA, na alimentação das aves como forma de acelerar o crescimento.

Segundo o Ministro da Saúde, Ussene Isse, uma equipa multissectorial já se encontra em Tete para apurar dois aspectos centrais: o eventual desvio de medicamentos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o risco que a administração destes fármacos a animais destinados ao consumo humano representa para a saúde pública.

De acordo com o Relatório da Galamukani, alguns funcionários de unidades sanitárias de Tete estariam a desviar os medicamentos para venda clandestina a preços entre 160 e 250 Meticais por frasco ou trocados directamente por frangos.

Entretanto, o Serviço Provincial de Saúde de Tete afirma ainda não ter recebido o relatório de pesquisa, mas considera positiva a participação de organizações da sociedade civil na vigilância da saúde pública. A instituição diz ter sido “surpreendida” pela denúncia e promete colaborar com o investigador para esclarecer os factos.

Por sua vez, a Direcção Provincial de Agricultura e Pescas de Tete confirmou ter contactado a organização responsável pelo estudo, numa tentativa de obter detalhes que permitam avançar com investigações técnicas mais aprofundadas. A instituição afirma ter alertado produtores da região, incluindo alguns dos maiores criadores locais, sobre as suspeitas.

A entidade reforça que a investigação ainda está na fase inicial, devido à falta de dados concretos. Refere que foram solicitados à Galamukani contactos de criadores que possam estar envolvidos no uso de antirretrovirais na alimentação de aves, para permitir verificar a veracidade das denúncias.

As autoridades da saúde reforçam que o uso de medicamentos destinados ao tratamento do HIV em seres humanos para fins não autorizados “representa um risco real para a saúde pública”, sobretudo quando envolve animais consumidos pela população. Sublinham que a situação é “grave” e exigirá uma resposta articulada entre vários sectores, dado o potencial impacto na segurança alimentar e na saúde dos consumidores. (M.A.)

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