Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

24 de November, 2025

HCB prevê queda de produção de energia e receitas para 2025 devido à seca severa

Escrito por

A empresa Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) está a enfrentar uma seca severa, devido ao fenómeno El Nino que tem assolado o país há dois anos. Como consequência, os níveis de armazenamento na albufeira reduziram drasticamente, estando actualmente fixados em 27%, contra 20% em finais de Outubro passado. O fenómeno está a afectar a produção de energia e receitas e, este ano, o impacto poderá ser ainda maior. A produção de energia poderá cair 5.7 mil Gigawatts por hora e a receita poderá reduzir 13 mil milhões de Meticais.

“Como sabem, a água é a matéria-prima principal para a produção de energia eléctrica pela HCB. Entretanto, face à situação da seca severa que nós estamos a viver nos últimos dois anos (ou duas épocas chuvosas), temos escoamentos muito fracos que afectam a quota da nossa albufeira, consequentemente, a produção de energia eléctrica”, afirmou o Administrador para Área de Hidrologia na HCB, Nilton Trindade.

Segundo o Administrador, por causa do El Nino, nos últimos meses, a HCB viu-se obrigada a reduzir a quantidade de geradores e a produção de cada um. De um total de cinco, Trindade disse que a Central funciona ultimamente com quatro grupos geradores. Disse ainda que a empresa reduziu a capacidade de produção de cada gerador, de 415 Megawatts para os actuais 340 Megawatts.

Como consequência dessas medidas, o Director de Planeamento, Organização e Método na HCB, Hamilton Bila, disse que, para 2025, a empresa prevê queda considerável, quer da produção de energia, quer das receitas para a empresa. Em termos de energia, para este ano o gestor disse que a HCB terá uma previsão de produzir 10.7 mil Gigawatts por hora, o que representará uma queda de 5.7 mil Gigawatts em relação ao ano passado em que a empresa registou pouco mais de 15 mil Gigawatts por hora.

Segundo Bila, a redução da produção de energia terá efeitos nas vendas para os clientes da HCB. “Em termos de receitas, para este ano, estamos a falar de 21 mil milhões de Meticais, contra 34 mil milhões de Meticais registados em 2024, uma redução de 13 mil milhões de Meticais. Para sermos mais precisos, para o mês de Setembro, tivemos uma receita de pouco mais de 16 mil milhões de Meticais. O valor representa uma queda de 40% em relação a igual período de 2024”, detalhou a fonte.

Como efeito multiplicador, a fonte disse que a queda de receitas terá implicações negativas ao Estado. “Por um lado, porque a HCB é um dos maiores contribuintes para os impostos. Por exemplo, em 2024, a HCB foi premiada pela Autoridade Tributária como maior contribuinte ao nível do Imposto de Rendimento sobre Pessoas Colectivas (IRPC). Por outro lado, a queda de receitas irá afectar a contribuição da empresa em termos de dividendos ao maior acionista que é também é o Estado”, explicou Bila.

Para minimizar os impactos da queda de receitas, por efeito da seca severa, o gestor disse que a HCB tem procurado rentabilizar as disponibilidades financeiras através de diversas aplicações no mercado financeiro, bem como maior controlo dos custos nas despesas e investimentos.

Apesar da redução da potência, os gestores da HCB asseguram que a empresa consegue cumprir os contratos de potência firme com os clientes, nomeadamente, a Electricidade de Moçambique (EDM), a Eskom da África do Sul e a Zeza do Zimbabwe, enquanto trabalha para recuperar a capacidade de armazenamento albufeira para tornar o negócio sustentável.

Além disso, com base em informações fornecidas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), os gestores dizem haver alguma esperança de que nesta época chuvosa se possa sair do El Nino (seca severa) para La Ninha (chuvas) e com isso recuperar a quota da albufeira.

Soluções

Para reverter o cenário, a HCB tomou várias medidas de curto, médio e longo prazo. Destaca-se o trabalho para melhorar a capacidade de previsão meteorológica e hidrológica com vista a ter dados de forma precisa e minimizar as incertezas. Para tal, conta não só com os recursos humanos e técnicos ao seu dispor (o INAM), mas também como gestores de barragens à jusante, localizadas no Zimbabwe e Zâmbia.

“Existem técnicas de modelação hidrológica, como por exemplo, para a planificação da produção hidroeléctrica, contamos com as previsões meteorológicas. Contamos também com os planos de exploração dos países de montante. Temos a partilha diária de dados com essas entidades. Em função desses danos, nós temos o modelo de previsão de afluência, isto é, a água que vem de montante, que nos permite aferir a quantidade de energia a produzir”, explicou o Administrador para Área de Hidrologia.

A HCB está também a investir numa Central Solar de 400 Megawatts, a ser instalada em Tete, como fonte alternativa. A Central Solar enquadra-se no Plano de longo prazo, designado Capex Vital 10 anos, em execução desde 2022, dentro do qual a empresa pretende reabilitar a Central Sul e subestações de Songo e de Tete.

Até ao fim da reabilitação, a empresa espera que o novo sistema tenha maior eficiência, mais 5% da produção actual de 2075 Megawatts. Isto significa que, com a mesma quantidade de água, os grupos geradores vão produzir mais energia. Além da Central Sul, a HCB prevê construir uma nova Central a norte da actual, com capacidade para produzir 1245 Megawatts. Até ao fim do Plano Capex 10 Anos, a empresa pretende incrementar a capacidade de produção, dos actuais 2075 Megawatts, para 4000 Megawatts.

Para garantir o transporte dos equipamentos com segurança, a HCB está a investir 5.3 mil milhões de Meticais (cerca de 100 milhões de USD) para reabilitar a Estrada Nacional Nº 301 de 117 km que liga a cidade de Tete a vila de Songo, no distrito de Cahora Bassa

Visited 183 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 190 vezes