Quase dois anos após o assassinato brutal de Celina Nhambi, cujo corpo foi encontrado em uma lixeira, nas proximidades da sua residência, na Matola Rio, distrito de Boane, província de Maputo, a mãe da vítima, Helena Massingue, continua a viver em profunda dor e pede apoio das autoridades e da sociedade civil para reaver os pertences da filha e garantir que a justiça seja feita.
Celina Nhambi foi assassinada em Janeiro de 2024 pelo marido, que depois atirou o corpo para uma lixeira. Desde então, a família da jovem enfrenta não apenas o luto, mas também a indiferença e a falta de respostas sobre o destino dos bens da vítima e o andamento do processo judicial.
“Não tenho acesso às roupas nem aos bens da minha filha. Disseram que era preciso um documento do Tribunal, mas até agora nada. Não tenho informação sobre o processo. Já passaram quase dois anos e continuosem respostas”, lamenta Helena Massingue, com as lágrimas a escorrer pelo seu rosto.
Massingue conta que, após a tragédia, a casa onde a filha vivia com o marido foi ocupada e, alegadamente, vendida. Com base nos relatos dos vizinhos, parte do terreno está a ser arrendada e os bens pessoais da sua filha, incluindo roupas, foram retirados e vendidos na Matola Rio, local onde a vítima residia com o então marido.
“Ouço dizer que já estão a construir no terreno e a vender partes da casa. Nem as roupas dela me entregaram, nem sequer pude fazer um enterro simbólico. É uma dor que não passa”, desabafa a fonte, que reside no bairro Luís Cabral, na cidade de Maputo.
Helena Massingue diz ainda sentir-se abandonada tanto pela família do agressor (ex-genro), que nunca a procurou sequer para pedir perdão, como pelas instituições judiciais, que não lhe fornecem informações sobre o andamento do processo. “A família dele nunca me dirigiu uma palavra, nem nas cerimónias. Eu sou mãe, também tenho sentimentos. O mínimo seria respeito e empatia”, sublinhou, revelando não saber em que situação se encontra o seu ex-genro. “Não sei se ele ainda está preso, ninguém me diz nada ”.
A dor da perda mistura-se com a revolta e impotência de Helena em lutar por um mínimo de dignidade para a memória da filha. “Não quero o terreno nem os bens. Quero apenas poder enterrar as roupas dela e ter paz. Quero que respeitem a minha filha, que foi morta de forma cruel”, defende.





