Os dois principais partidos que compõem a Assembleia Municipal da Cidade de Maputo são unânimes em defender que o crescimento acelerado da cidade de Maputo é, actualmente, o principal desafio para a governação local. O facto foi defendido ontem pelas chefias das bancadas da Frelimo e Renamo, naquela Assembleia Municipal, por ocasião da passagem dos 138 anos da elevação de Maputo à categoria de cidade.
Segundo o vice-Chefe da bancada da Renamo na Assembleia Municipal de Maputo, Sunil Randasse, é necessário desenvolver-se “acções mais estruturais e imediatas” para tornar a capital do país mais sustentável. Por seu turno, o chefe da bancada da Frelimo, Edgar Muxlhanga, entende que a edilidade deve continuar a apostar nas “reformas e no reforço da capacidade municipal” como forma de responder à pressão urbana.
Entretanto, se as duas principais formações políticas da Assembleia Municipal de Maputo concordam que o crescimento acelerado da capital é o principal desafio, os mesmos já não se entendem em relação aos restantes desafios da capital do maior centro urbano do país. A Renamo aponta falhas na gestão municipal, enquanto o partido no poder destaca avanços e resiliência perante as dificuldades enfrentadas pelos munícipes no seu quotidiano.
Em conversa com a “Carta”, no âmbito da celebração dos 138 anos da cidade de Maputo, Sunil Randasse disse ainda persistirem problemas estruturais que afectam a qualidade de vida dos munícipes. “Os desafios são enormes. Há muitas avenidas que ainda precisam de reabilitação e um sistema de saneamento que continua deficiente”, afirmou.
Entre os problemas que afectam a cidade de Maputo, segundo Randasse, estão a erosão, as inundações, a criminalidade e a deficiente gestão da lixeira de Hulene. “O Município tem prometido soluções que ainda não se concretizaram. Há bairros que sofrem há anos com a erosão e inundações, famílias em desespero e ruas intransitáveis”, sublinhou.
O chefe da maior bancada da oposição, na capital do país, apontou igualmente a mobilidade urbana como um dos maiores desafios. “A cidade de Maputo tornou-se intransitável. O transporte público é insuficiente e muitos condutores não respeitam as regras de trânsito”, afirmou, defendendo “intervenções de raiz para melhorar a circulação e organizar a venda informal nas ruas”.
Já o chefe da bancada da Frelimo, Edgar Muxlhanga, afirma que Maputo enfrenta “desafios próprios de uma cidade grande, cosmopolita e em rápido crescimento”, defendendo haver progressos alcançados em diversas áreas. Entre as conquistas, apontou a reabilitação dos sistemas de drenagem e saneamento, bem como a requalificação dos mercados e vias urbanas.
Estes avanços estão “a criar gradualmente um ambiente urbano mais limpo e funcional”, segundo Muxlhanga, para quem “o aumento populacional pressiona as infra-estruturas”. O político refere ainda que a gestão das inundações “tem sido um dos maiores desafios”, mas garante que “os esforços de bombagem e reassentamento de famílias afectadas têm trazido alívio a várias zonas críticas.
Em relação à mobilidade urbana, a fonte afirma que “a reabilitação de estradas e o uso de meios alternativos, como o comboio suburbano”, estão a contribuir para aliviar o caótico trânsito da capital do país, caracterizado por congestionamento, sobretudo nos horários de pico.




