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Maputo -

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9 de September, 2025

Acidente EN4: Número de mortos sobe para nove

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O número de mortos devido ao grave acidente de viação ocorrido na madrugada de segunda-feira (8) na

Estrada Nacional Número 4 (EN4), pouco depois da portagem da Moamba, província de Maputo, resultou em nove mortos, sete feridos graves e um ligeiro, segundo dados do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO, IP).

O sinistro envolveu três veículos pesados e um automóvel de transporte de passageiros, de marca Toyota, modelo Quantum, com a matrícula AAL 835 GZ.

Os camiões envolvidos ostentavam as chapas AGC 227 MC, AJ 787 MP e AIT 335 MP e um deles transportava

Ferro Cromo usado para a produção de aço.

De acordo com informações preliminares, todos os veículos seguiam no mesmo sentido (Ressano Garcia-Moamba), quando um dos camiões de mercadorias embateu na traseira do semi-colectivo de passageiros, parado na fila de trânsito, projetando-o contra o segundo camião que seguia à frente. O excesso de velocidade e a distracção na condução do condutor do pesado de mercadorias são apontados como causas principais do desastre.

Relatos dramáticos das testemunhas

Diversas fontes apressaram-se a recolher os poucos produtos espalhados pelo chão como leite, chá, sabão líquido e alguns doces.

José, Maiquel e Gito, que assistiram ao que se passaram no local, relataram à “Carta” que um estrondo resultante do acidente foi ouvido por volta das 04h45.

Quando algumas pessoas se dirigiram ao sítio, já depois das 05:00, os corpos tinham sido evacuados para o hospital.

Entre os destroços do semi-colectivo, não se vê sequer o volante, enquanto uma das chapas de matrícula está solta na terra batida.

Segundo as testemunhas, no interior do transporte colectivo, seguiam três pessoas da mesma família.

Uma deles, proprietário de uma viatura particular, optou por viajar na Quantum junto dos amigos, tendo entregue o seu carro a um irmão. Este último sobreviveu, mas o dono da viatura perdeu a vida no acidente.

Residentes da zona avançam ainda que, entre os passageiros, apenas uma mulher foi retirada com vida.

Trata-se de uma médica tradicional, que, apesar da violência do impacto, sofreu apenas ferimentos ligeiros e foi transportada ao hospital.

No local, também foram encontradas várias garrafas e embalagens de bebidas alcoólicas, espalhadas entre os destroços.

As autoridades locais admitem vir a propor ao Governo a adopção do transporte ferroviário para o escoamento de minerais como o cromo, de modo a reduzir a pressão sobre as estradas e mitigar os frequentes acidentes envolvendo veículos de mercadorias e transportes semicolectivos.

Não foi o único acidente registado na segunda-feira, na mesma tarde, a cerca de 45 quilómetros da Moamba, concretamente em Malhampsene, registou-se mais um acidente

mortal, envolvendo um camião e uma camioneta que transportava tanque de água, ambas com chapas de matrículas nacionais. Testemunhos e imagens captadas no local mostram a violência do sinistro, do tipo despiste e embate, no qual a cabine da camioneta se desmembrou com o motorista no interior e ficou projectada para debaixo de um dos camiões.

À imprensa, o administrador do INATRO, Cláudio Zunguza, manifestou preocupação com a frequência de acidentes rodoviários, sublinhando que os mesmos acontecem num momento em que vigora um plano de acção de curto prazo para a redução da sinistralidade.

“Nós conhecemos os factores que concorrem para a ocorrência dos acidentes, o factor humano, o veículo, a via e até o ambiente. A resposta só pode ser encontrada quando cada interveniente cumprir com o seu mandato e a sua responsabilidade. Todos os acidentes que têm estado a

ocorrer podem ser evitados”, afirmou.

Como medidas de mitigação, Zunguza destacou a realização de campanhas de sensibilização para o cumprimento rigoroso das regras de condução, a necessidade de reforçar a presença de

agentes fiscalizadores e a introdução gradual de tecnologias de controlo rodoviário, incluindo a instalação de câmeras de velocidade e mecanismos de monitoria nos pontos críticos já mapeados.

“Temos de assumir que as nossas estradas não foram concebidas apenas para veículos motorizados. Existem diversos utilizadores e, por isso, precisamos de melhorar a educação rodoviária e recorrer à tecnologia para controlar o comportamento humano”, frisou.

Zunguza reiterou ainda o apelo do Presidente da República para que o acidente da Moamba sirva de alerta, levando os condutores a reforçarem a prudência e a responsabilidade ao volante.

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