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Maputo -

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5 de August, 2025

Hospital Central de Maputo retoma serviço de radioterapia após 15 meses de paralisação

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Um ano e três meses depois de inactividade, o único aparelho de radioterapia existente em Moçambique voltou a funcionar no Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária do país, devolvendo esperança a centenas de doentes oncológicos.

O serviço de radioterapia, suspenso há 15 meses, devido a avarias técnicas do equipamento, foi oficialmente reactivado esta semana. O aparelho, instalado em 2019, é o único do género no país e representa uma etapa essencial no tratamento de diversos tipos de cancro. A paralisação do serviço comprometeu particularmente os pacientes em fase mais avançada da doença.

Segundo o Director do HCM, Mouzinho Saide, o número de pacientes tratados com radioterapia vinha aumentando desde o lançamento do serviço, passando de 40 doentes em 2019 para uma média anual de 250. Contudo, em 2024, com a interrupção do serviço, apenas 60 doentes foram tratados nos primeiros três meses do ano.

“Durante o período de paralisação, os doentes não puderam beneficiar deste tratamento, embora tenham continuado a receber outros cuidados, como quimioterapia, cirurgia e hormonioterapia”, explicou Saide.

O antigo Vice-Ministro da Saúde refere a reparação do equipamento exigiu um investimento significativo e enfrentou obstáculos técnicos, como a necessidade de assistência especializada do estrangeiro. “A manutenção anterior rondava os 2 milhões de dólares por ano. Esperamos agora reduzir esses custos através de novos acordos com empresas especializadas”, adiantou o director.

O país conta actualmente com uma lista de espera de cerca de 170 doentes oncológicos para radioterapia. As autoridades hospitalares garantem que estão a priorizar os casos mais urgentes e apelam à denúncia de qualquer prática irregular.

“O nosso sistema respeita a lista de espera, mas também considera a gravidade clínica. Se houver denúncias de corrupção, pedimos que sejam comunicadas directamente à direcção do hospital”, reforçou a fonte.

Impacto económico e resposta da classe médica

Para a Associação Médica de Moçambique, a retoma do serviço representa um avanço significativo. O presidente da organização, Napoleão Henrique de Viola, sublinhou os custos elevados anteriormente associados ao envio de pacientes para tratamento no estrangeiro.

“O Estado moçambicano gastava anualmente cerca de mil milhões de meticais no envio de doentes oncológicos para o exterior. Este passo dado pelo Ministério da Saúde representa um alívio orçamental e uma melhoria concreta nas condições de tratamento”, afirmou.

A classe médica e os profissionais de enfermagem também manifestaram satisfação, considerando o retorno do serviço como um reforço à capacidade de assistência. “Sem equipamentos, não há assistência. Este é um passo importante na garantia de cuidados de saúde de qualidade para os moçambicanos”, referiu Raul Piloto, representante da Associação Médica.

O Ministério da Saúde planeia expandir, de forma gradual, os serviços de radioterapia para outras regiões do país. Para o efeito, estão em curso acções de formação de radioncologistas e técnicos especializados, inseridas no plano nacional de combate ao cancro.

Pacientes relatam momentos de angústia durante avaria do equipamento

Durante os 15 meses em que o único aparelho de radioterapia do país esteve avariado, vários pacientes enfrentaram situações de grande angústia e incerteza quanto ao seu futuro.

“Depois de ter ficado 15 meses sem poder fazer as sessões de radioterapia, o meu estado de saúde piorou e já nem acreditava que a máquina voltasse a funcionar. Quando recebi a chamada do hospital a informar que podia retomar o tratamento, quase não acreditei”, contou uma paciente presente na consulta desta segunda-feira (04) no Hospital Central de Maputo.

O testemunho é apenas um entre muitos que ilustram o impacto que a paralisação do serviço teve na vida dos doentes. Para alguns, a interrupção coincidiu com o agravamento do estado clínico, tornando a retoma do serviço um momento de alívio e esperança.

As autoridades de saúde garantem que os pacientes em lista de espera estão a ser chamados gradualmente, dando prioridade aos casos mais urgentes.

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