Depois das cheias severas registadas em Janeiro deste ano, previsões sazonais do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) dizem haver uma grande probabilidade de ocorrência do fenómeno El Niño, com intensidade forte a muito forte, podendo atingir um dos níveis mais elevados registados desde 1950.
Em comunicado emitido pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, o fenómeno poderá provocar um défice significativo de precipitação entre Outubro de 2026 e Janeiro de 2027, com impactos severos nos distritos de Mapai, Massangena e Chigubo, na província de Gaza, e Mabote, Funhalouro, Massinga e Jangamo, na província de Inhambane. Prevê-se ainda um impacto moderado nos distritos de Chicualacuala e Massingir, em Gaza, e Homoíne, em Inhambane.
Perante este cenário, o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres decidiu, semana finda, activar os Planos de Acções Antecipadas para a seca nos distritos identificados. A medida visa assegurar a implementação atempada de acções preventivas destinadas a reduzir os impactos da seca sobre as populações, os meios de subsistência e os sectores produtivos.
Entre as principais medidas recomendadas constam a distribuição atempada de sementes resistentes à seca e de culturas adaptadas às condições de baixa precipitação, a reabilitação e manutenção de furos e outros sistemas de abastecimento de água para consumo humano, bem como a implementação de acções de protecção do efectivo pecuário, garantindo o acesso à água e ao pasto.
As autoridades recomendam igualmente a intensificação das campanhas de sensibilização para o uso racional e sustentável da água, a promoção da agricultura de conservação e de outras práticas agrícolas resilientes à seca, a elaboração ou actualização dos Planos de Acções Antecipadas nos distritos que ainda não dispõem deste instrumento e o reforço da coordenação com os parceiros de cooperação na implementação das actividades previstas.
Por seu turno, o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) garante que continuará a acompanhar permanentemente a evolução da situação, em estreita coordenação com o INAM, e apela às autoridades locais, parceiros de cooperação e à população para que acompanhem os comunicados e avisos oficiais, adoptando as medidas preventivas recomendadas.
Refira-se que, em Janeiro deste ano, as províncias de Gaza e Maputo foram fustigadas por cheias e inundações severas, que causaram mortes, feridos e desalojaram milhares de famílias, para além de destruir diversas infra-estruturas sociais e económicas, entre públicas e privadas.





