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30 de June, 2026

Época chuvosa 2025/26 foi caracterizada por início precoce da chuva – diz INAM

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Um relatório de avaliação da época chuvosa 2025-26 tornado público na semana passada, pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), revela que o último período chuvoso, no país, foi caracterizado pelo “início precoce” da queda de chuvas em quase todo o território nacional.

De acordo com o Relatório a que “Carta” teve acesso, grande parte da zona norte do país e extremo norte da província de Inhambane chegou a registar mais de 20 dias de “início precoce” de chuvas. “De forma espalhada, extensões das províncias de Zambézia, Sofala, Tete e Manica registaram chuvas com o seu início em tempo normal, mas com tendência para um início adiantado”, descreve o documento.

No entanto, segundo o INAM, os extremos sul das províncias de Gaza, Inhambane e grande parte da província de Maputo tiveram um início atrasado, com cerca de 10 dias ou mais, relativamente ao normal, sendo que “uma pequena parte do extremo sudeste de Maputo chegou a registar um início precoce com cerca de 20 dias”.

Segundo o INAM, na época chuvosa 2025-26 foi também possível registar mais de cinco dias “de chuvas extremas ou chuvas incomuns”, que ocorreram com maior frequência durante as regiões centro e norte do Moçambique, sendo que, no passado mês de Fevereiro, as estações meteorológicas registaram chuvas extremas nas grandes extensões das províncias do Niassa, Zambézia, Tete e parte de Nampula e Manica.

“Este tipo de fenómeno preocupa, pois provoca impactos diversos, como cheias, inundações urbanas, erosão de solos, deslizamento de terras, destruição de culturas e infra-estruturas, eclosão de doenças de origem hídrica, etc.”, defende o INAM, acrescentando que as datas do fim da época chuvosa 2025-26, observadas até 30 de Abril, apresentam uma distribuição espacial heterogênea em relação à média climatológica, reflectindo contrastes regionais na persistência das chuvas ao longo da época.

“Na maior parte das províncias da zona sul do país, onde climatologicamente o fim da época chuvosa ocorre durante o mês de Março, a época registou atrasos que, em algumas áreas, ultrapassaram 30 dias em relação à média climatológica”, explica a entidade, sublinhando que esta situação “evidencia um prolongamento da época chuvosa para além do período normalmente observado, mantendo condições húmidas durante a fase de transição para a estação seca”.

Situação idêntica verificou-se na região centro do país, incluindo grande parte da província de Tete, algumas áreas da província de Manica e o interior da província de Sofala, onde, de acordo com o INAM, “houve um atraso no fim da época chuvosa, com valores que variaram entre 10 e mais de 30 dias”.

Para as autoridades meteorológicas, este atraso indica que a cessação das chuvas ocorreu mais tarde do que o habitual, prolongando a época chuvosa para além do período esperado. “No entanto, na maior parte das províncias de Sofala e Manica, o fim da época chuvosa ocorreu dentro do período climatologicamente esperado. Em contrapartida, na província da Zambézia e nos distritos costeiros do nordeste de Sofala, não foi possível determinar o fim da época chuvosa durante o período em análise, devido à persistência de ocorrências irregulares de chuva”, clarifica a fonte, assegurando que, na zona norte, o fim da época chuvosa ocorreu dentro do período climatologicamente esperado.

De um modo geral, o Relatório do INAM avança que a última época chuvosa foi caracterizada por precipitação acima da média na maior parte do território nacional, “impulsionada pela actuação conjunta de factores climáticos globais, regionais e locais”.

O INAM defende que o regime pluviométrico manifestou uma forte irregularidade espacial e temporal, marcada por transições abruptas entre episódios de precipitação extrema que provocaram cheias e inundações em algumas partes do país e longos períodos de dias consecutivos sem precipitação significativa.

Refira-se que, durante a época chuvosa 2025-26, as regiões sul e centro do país registaram as piores cheias desde o ano de 2000, que resultaram em mais de uma centena de mortes e na destruição de diversas infra-estruturas públicas e privadas, com destaque para os cortes da Estrada Nacional N.º 1 e para a inundação total e parcial das cidades de Chókwè e Xai-Xai, respectivamente, na província de Gaza.

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