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18 de June, 2026

Greve dos professores em Xai-Xai põe em causa calendário escolar de cinco mil alunos

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A paralisação das aulas, devido à greve dos professores no distrito de Xai-Xai, província de Gaza, continua a gerar tensão entre a classe docente e as autoridades da Educação. Em causa estão alegados atrasos no pagamento de horas extraordinárias referentes às segundas turmas, bem como cortes salariais que os docentes consideram injustificados.

Na última sexta-feira, cerca de 250 professores das escolas Primária Ndambine 2000, Primária 2013 e Secundária Ndambine 2000 anunciaram a paralisação das aulas, alegando diversas irregularidades. Entre as reivindicações, os docentes exigem o pagamento de horas extraordinárias em atraso desde 2022 e reposição de cortes injustificados de até 5% nos salários, sem qualquer esclarecimento oficial.

“Há cortes não justificados nos nossos ordenados, variando entre 1.500 e 3.500 meticais. Até hoje não recebemos qualquer explicação”, afirmou um dos professores em protesto.

Entretanto, a porta-voz da Direcção Provincial de Educação de Gaza, Jaquelija Jorge, contestou os números avançados pelos manifestantes e restringiu a dimensão da paralisação à Escola Secundária Ndambine 2000.

“A Direcção Provincial de Educação tem informação da greve dos professores da Escola Secundária Ndambine 2000, localizada no distrito de Xai-Xai. Em relação às outras duas escolas mencionadas, estamos ainda a acompanhar a situação”, esclareceu.

Sobre uma das principais reivindicações dos docentes, a responsável explicou que a Escola Secundária Ndambine 2000 beneficiou anteriormente de um subsídio de localização por integrar o distrito de Chongoene. Contudo, com a nova reorganização administrativa, a escola passou a pertencer ao distrito de Xai-Xai, deixando de reunir os critérios para continuar a beneficiar deste apoio.

“A partir do momento em que a escola passou a integrar o distrito de Xai-Xai, deixou de ter direito ao subsídio de localização, tal como acontece com as restantes escolas do distrito”, explicou.

Relativamente às horas extraordinárias, a Direcção Provincial reconhece a existência da dívida, mas atribui os atrasos à indisponibilidade financeira.

“Reconhecemos esta dívida para com os professores. Não se trata de uma situação exclusiva da província de Gaza, mas de um problema que afecta várias regiões do país”, afirmou a porta-voz.

Segundo a responsável, decorre actualmente um processo de validação das dívidas conduzido pela Inspecção-Geral das Finanças, que deverá apurar o número exacto de professores abrangidos e o montante necessário para a regularização dos pagamentos.

“Só após a conclusão deste trabalho será possível indicar quantos professores estão envolvidos e qual é o valor global da dívida”, acrescentou.

Do lado dos professores, o descontentamento mantém-se. Os docentes acusam as autoridades de falta de transparência e alegam que os pagamentos referentes a 2023 continuam por regularizar.

“Há uma cultura de falta de verdade. Foi anunciado publicamente que as horas extraordinárias de 2023 já tinham sido pagas, mas muitos professores ainda não receberam a totalidade dos valores em dívida”, denunciou um representante da classe.

Sem consenso entre as partes e sem uma solução imediata à vista, cerca de cinco mil alunos continuam afectados pela interrupção das aulas, aumentando as preocupações quanto ao cumprimento do calendário escolar na província de Gaza.

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