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16 de June, 2026

Ataques em Cabo Delgado: número de deslocados nas últimas semanas ultrapassa 20 mil

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O número de pessoas deslocadas na sequência dos últimos episódios de insegurança no sul e norte da província de Cabo Delgado aumentou para 20.875, desde o início de Maio, após terem sido contabilizados 15.286 indivíduos obrigados a fugir da violência, na última semana.

Os dados constam do mais recente Relatório de Situação divulgado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que menciona como foco de deslocamentos alguns pontos dos distritos de Ancuabe, Chiure, Namuno, Metuge, Mocímboa da Praia e Montepuez.

Segundo a OCHA, a maioria dos deslocados já havia fugido anteriormente de episódios semelhantes, facto que evidencia o prolongamento de ataques e movimentos de terroristas que deixam uma persistente crise humanitária naquela província.

Por outro lado, o relatório destaca a necessidade de intervenção humanitária, o que impõe uma resposta rápida, uma vez que a situação actual ultrapassa os recursos disponíveis.

Outra realidade é que a chegada constante de novas pessoas deslocadas em locais de acolhimento está a pressionar os abrigos temporários e outros serviços como o abastecimento de água e saneamento, bem como a prestação de cuidados de saúde.

De acordo com aquela organização, os intervenientes humanitários alertam ainda para o agravamento dos riscos de protecção, sobretudo para mulheres, crianças, idosos e outros grupos vulneráveis.

Entre as principais preocupações, encontram-se os casos de separação familiar, violência baseada no género, perda de documentos civis e a incerteza em relação à duração do deslocamento.

Contudo, os ataques imprevistos e esporádicos continuam a ocorrer em zonas próximas a corredores rodoviários importantes incluindo as estradas N380, N14, R763, R762, R760 e N1, vias que são usadas na circulação para entrega de ajuda às populações necessitadas.

Entretanto, “Carta” confirmou de várias fontes locais que, entre sexta-feira e sábado passados, um grupo de terroristas forçou a fuga da população em zonas de produção dos distritos de Meluco e Quissanga.

Após a fuga da população, os terroristas roubaram parte de produtos alimentares, principalmente arroz, cultura que mais se produziu na presente época agrícola naqueles pontos de Cabo Delgado.

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