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12 de June, 2026

Estudo reforça necessidade de incluir grávidas na vigilância de doenças em emergências de saúde pública

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Um estudo recentemente publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth, no âmbito do projecto Pregnancy Care Integrating Translational Science Everywhere (PRECISE), reforça a necessidade de incluir as mulheres grávidas na vigilância contínua do impacto das doenças em contextos de emergência de saúde pública, como ocorreu durante a pandemia da COVID-19.

De acordo com o estudo, publicado na página oficial do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), apesar do contexto pós-pandemia, os resultados mantêm elevada relevância para países como Moçambique, onde os serviços de saúde materna continuam a enfrentar desafios estruturais relacionados com a capacidade laboratorial, o rastreio sistemático e a monitoria clínica.

A investigação foi conduzida em Moçambique pelo CISM, em colaboração com a Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane, entre 2020 e 2021, envolvendo mulheres grávidas e os respectivos recém-nascidos.

Os resultados revelam uma prevalência global de infecção por SARS-CoV-2 de 26,2%, com variações ao longo do período analisado: de 4,9%, no início da pandemia, para 82% após a terceira vaga. O estudo demonstra que uma proporção significativa das mulheres grávidas foi infectada durante esse período e que a maioria dos casos ocorreu sem sintomas.

Segundo os investigadores, estes dados evidenciam o risco de transmissão silenciosa e as limitações das abordagens baseadas exclusivamente na triagem clínica e nos sistemas tradicionais de vigilância epidemiológica, nos quais a infecção durante a gravidez era raramente identificada ou reportada.

Embora a avaliação da associação entre a infecção e desfechos adversos da gravidez não tenha constituído o objectivo principal desta investigação, a literatura científica aponta para associações entre a infecção por SARS-CoV-2 e complicações maternas e neonatais graves, incluindo morte materna, internamento em cuidados intensivos e desfechos neonatais adversos.

Neste contexto, os autores defendem o reforço da vigilância contínua, sobretudo em cenários em que a capacidade de resposta dos sistemas de saúde permanece limitada. Para Esperança Sevene, investigadora da Área de Saúde Materna no CISM/FAMED-UEM e primeira autora do artigo, os resultados demonstram a necessidade de investir em sistemas de rastreio mais abrangentes nos cuidados maternos.

“A elevada proporção de casos assintomáticos encontrada no estudo demonstra que depender apenas de sintomas para identificar infecções pode deixar muitas mulheres sem diagnóstico. Isso reforça a importância de sistemas de vigilância mais preparados para responder a futuras emergências sanitárias, sem deixar a mulher grávida para trás. Conhecer o peso da doença na mulher grávida permite preparar intervenções específicas para este grupo, incluindo medidas curativas e preventivas, como vacinas”, afirmou.

Sónia Maculuve, investigadora do CISM e coautora do artigo, destacou igualmente a importância da produção científica local para apoiar a tomada de decisões em saúde pública. “Estudos como este ajudam-nos a compreender melhor como epidemias globais afectam populações específicas no contexto moçambicano. A evidência científica produzida localmente é fundamental para orientar políticas de saúde mais adequadas à nossa realidade”, sublinhou.

O estudo integra o projecto PRECISE, uma rede internacional de investigação dedicada à saúde materna e neonatal que reúne instituições de África, incluindo Moçambique, Quénia e Gâmbia, Europa e América do Norte, sendo financiada pelo fundo do Reino Unido para Investigação e Inovação.

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