O jornalismo moçambicano está de luto pela morte de José Júlia Nuvunga Sixpence, profissional descrito por colegas e instituições como um exemplo de dedicação, ética e compromisso com a comunicação social.
Nas mensagens de homenagem prestadas pela Sociedade do Notícias, pelo Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) e pela Rede dos Jornalistas Parlamentares de Moçambique (REJOPAM), destacou-se não apenas o percurso profissional do jornalista, mas também as qualidades humanas que marcaram a sua vida.
Na mensagem lida pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sociedade do Notícias, Júlio Manjate, foi recordada a forma simples, alegre e responsável com que Sixpence encarava a vida, bem como a sua capacidade de tratar todos com respeito, humildade e generosidade.
“Perdemos um profissional brilhante, mas a dor maior é perder um amigo verdadeiramente especial”, refere a nota.
José Sixpence iniciou a carreira jornalística em Dezembro de 1994, através da empresa Editores Associados Limited, então responsável pela exploração do semanário Domingo, pertencente à Sociedade do Notícias.
Ao longo do seu percurso, destacou-se pela versatilidade, disciplina e capacidade de liderança, características que lhe permitiram ascender rapidamente na redacção.
Em 2005, foi promovido à categoria de repórter-editor principal e, em 2009, assumiu a edição da secção de Política.
Especializou-se na cobertura parlamentar e de assuntos políticos, acompanhando de perto o trabalho da Assembleia da República numa fase importante da consolidação democrática do país.
Foi também um dos impulsionadores da criação da Rede dos Jornalistas Parlamentares de Moçambique (REJOPAM), organização da qual se tornou o primeiro coordenador.
Posteriormente, em Julho de 2015, foi destacado em comissão de serviço para exercer funções de assessor de imprensa do Primeiro-Ministro, cargo que desempenhou até ao último dia da sua vida, tendo servido sucessivos chefes do Governo.
Apesar das responsabilidades institucionais, colegas recordam que nunca perdeu ligação com o jornalismo nem deixou de acompanhar e apoiar profissionais mais jovens.
O Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) destacou igualmente o espírito de equipa e a disponibilidade permanente de Sixpence para apoiar colegas, independentemente do órgão de comunicação social a que pertenciam.
Segundo o SNJ, o jornalista defendia uma profissão assente no respeito pelas normas éticas, na valorização da classe e na melhoria das condições de trabalho dos profissionais da comunicação social.
Já a REJOPAM sublinhou o papel determinante de José Sixpence na afirmação da organização como espaço credível de aproximação entre jornalistas, Parlamento e demais instituições nacionais.
“Foi-se o nosso ‘Six’, mas ficam os exemplos de dedicação, farol de ética e serviço público”, refere a mensagem da organização.
À família enlutada, em particular à esposa, filhos e restantes familiares, foram dirigidas mensagens de solidariedade e reconhecimento pela partilha de vida com alguém que deixa marca profunda no jornalismo moçambicano





