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20 de May, 2026

Hipertensão arterial continua a ser ameaça silenciosa em Moçambique, alerta cardiologista

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O cardiologista Albertino Damasceno alertou, esta terça-feira, para o crescente impacto da hipertensão arterial em Moçambique, defendendo maior rigor no diagnóstico, tratamento contínuo e mudança de hábitos de vida para reduzir as complicações cardiovasculares no país. A intervenção ocorreu durante um webinar sobre hipertensão arterial organizado pelo Ministério da Saúde.

Segundo Damasceno, a pressão arterial sistólica tende a aumentar com o avanço da idade, enquanto a diastólica sobe até cerca dos 50 anos e depois começa a diminuir. O especialista afirma que este fenómeno resulta no aumento da chamada “pressão de pulso”, indicador associado à rigidez da aorta e dos vasos sanguíneos periféricos.

O cardiologista sublinhou ainda que a hipertensão sistólica isolada, comum em pessoas com mais de 60 anos de idade, deve ser encarada com seriedade clínica. “Hoje sabe-se que a pressão sistólica é a mais importante para determinar o risco cardiovascular”, afirmou.

Entre as principais complicações associadas à hipertensão arterial, Damasceno destacou o Acidente Vascular Cerebral (AVC), a insuficiência cardíaca, a insuficiência renal crónica, além da doença vascular periférica e da retinopatia. O especialista recordou que a hipertensão arterial é geralmente assintomática, razão pela qual muitos pacientes apenas descobrem a doença quando já apresentam complicações graves. “O primeiro sintoma pode ser um AVC irreversível”, alertou.

Segundo Damasceno, o consumo excessivo de sal, álcool, obesidade, sedentarismo e stress continuam entre as principais causas do aumento dos casos da doença em Moçambique. Por isso, o especialista recomenda que os pacientes estejam sempre relaxados, sentados e submetidos a três medições com intervalo de um minuto, sendo considerada a média das duas últimas avaliações.

Damasceno criticou ainda práticas consideradas inadequadas nos serviços de saúde, como o uso de braçadeiras inadequadas em pacientes obesos e o diagnóstico precipitado da hipertensão com base em medições isoladas. “O hipertenso mantém a pressão arterial elevada de forma contínua. Não existem hipertensos de pico”, esclareceu.

O cardiologista defendeu que todos os adultos com 25 anos de idade ou mais devem medir regularmente a pressão arterial, independentemente do motivo da consulta médica. Aliás, considerou preocupante o facto de muitos moçambicanos nunca terem feito o rastreio da doença.

Quanto ao tratamento, o especialista destacou a necessidade de haver mudanças no estilo de vida, incluindo a prática regular de actividade física, controlo do peso e moderação no consumo do sal e de bebidas alcoólicas. Sobre a terapêutica medicamentosa, explicou que as novas recomendações priorizam o uso inicial da amlodipina, seguida de lisinopril e hidroclorotiazida, de forma gradual.

A fonte alertou ainda para a chamada “inércia terapêutica”, fenómeno em que profissionais de saúde mantêm tratamentos ineficazes mesmo quando a doença continua elevada. O webinar também abordou estratégias inovadoras para o controlo da hipertensão em África, incluindo o uso de agentes comunitários de saúde e monitorização da pressão arterial ao domicílio.

Na sua conclusão, Albertino Damasceno defendeu uma abordagem integrada e contínua para combater a hipertensão arterial no continente africano, considerando a doença um dos maiores desafios silenciosos de saúde pública da actualidade.

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