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15 de May, 2026

Ataques armados às igrejas: Bispos Católicos alertam para risco de intolerância religiosa no país

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A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) manifestou a sua solidariedade para com a Diocese de Pemba e condenou os ataques contra igrejas, comunidades cristãs e símbolos religiosos em Cabo Delgado, considerando que tais actos representam uma grave ameaça à convivência pacífica e à liberdade religiosa no país.

Num comunicado conjunto, emitido esta quarta-feira, os bispos moçambicanos afirmam ter recebido “com profunda tristeza” as notícias sobre profanações, destruições e atentados contra locais de culto cristão, sublinhando que estes actos “ferem não apenas os crentes, mas também a consciência moral de toda a nação”.

“A destruição de uma igreja representa uma ferida aberta no coração do povo, enquanto a profanação de um templo constitui um atentado contra a dignidade humana e o direito fundamental à liberdade religiosa”, refere o documento.

Em causa está a destruição da histórica Paróquia católica de São Luís de Monfort, em Meza, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, pelos terroristas no passado dia 30 de Abril. A paróquia era um símbolo da presença cristã na região desde 1946. O ataque vitimou também a casa do Padre, um centro de saúde e matou pelo menos uma pessoa.

Os prelados recordam que a história de Moçambique sempre foi marcada pela convivência harmoniosa entre diferentes povos, culturas e religiões. Destacam que, em muitas famílias moçambicanas, cristãos, muçulmanos e seguidores das religiões tradicionais africanas cresceram juntos, partilhando momentos de alegria e sofrimento.

A CEM rejeita “firmemente” qualquer tentativa de promover divisões, ódio ou desconfiança entre cidadãos da mesma pátria e condena “todas as formas de extremismo violento” e de “manipulação das populações”, sobretudo de jovens, adolescentes e crianças.

Para os bispos, os interesses religiosos, económicos ou as ambições de poder, assim como a exploração dos recursos naturais não podem justificar mortes, deslocamentos forçados, destruição de comunidades e profanação de espaços sagrados. O comunicado alerta ainda para os perigos da instrumentalização da religião para legitimar a violência, afirmando que tal prática contradiz os princípios da fé cristã, islâmica e das religiões tradicionais africanas, historicamente promotoras da paz, hospitalidade e fraternidade.

“Quem destrói um lugar de culto não serve a Deus, mas fere gravemente a humanidade”, sublinham os líderes católicos, apelando ao fim de actos de intolerância que possam alimentar suspeitas mútuas entre comunidades religiosas.

Refira-se que dados da Diocese de Pemba indiciam que mais de 300 católicos foram mortos desde o início dos ataques terroristas, em Outubro de 2017, e pelo menos 117 igrejas e capelas foram destruídas, na província de Cabo Delgado. Aliás, a Conferência Episcopal encoraja os cristãos da Diocese de Pemba, elogiando a sua perseverança “no meio de tanto sofrimento” e classificando-a como “um testemunho vivo do Evangelho”.

Os bispos católicos reafirmam igualmente solidariedade espiritual, humana e material para com todas as vítimas da violência em Cabo Delgado, independentemente da religião, etnia ou condição social, com especial atenção às famílias deslocadas e traumatizadas pela insegurança.

No comunicado, a Igreja Católica lembra que cabe ao Governo moçambicano garantir a segurança, a dignidade humana e o bem-estar da população, alertando para sinais de expansão da violência para outras regiões do país, particularmente no Norte. Defende ainda que as autoridades devem tomar “uma decisão corajosa” para travar imediatamente a intolerância religiosa, pois, há risco de surgimento de outras formas de radicalismo.

Por fim, os bispos apelam à união entre comunidades religiosas, autoridades civis, organizações da sociedade civil e cidadãos na promoção da paz, do diálogo, da justiça social e da reconciliação nacional. “O futuro de Moçambique não pode ser construído sobre a violência, mas sobre a confiança mútua, a verdade, a tolerância e o respeito pela dignidade de cada pessoa”, conclui o comunicado.

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