O Presidente da ANAMOLA (Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo), o mais “novo” partido político nacional, Venâncio Mondlane, denunciou, esta segunda-feira, o assassinato de 56 membros do seu partido desde 2024.
A denúncia foi feita numa comunicação ao país, transmitida através da sua página oficial no Facebook, na sequência do assassinato de Anselmo Abílio Vicente, Coordenador Político da ANAMOLA, em Chimoio, província de Manica.
Anselmo Vicente, empossado há menos de um mês, foi morto a tiro por desconhecidos no último sábado, na Estrada Nacional Número 6, em Manica. Informações avançadas pela PRM (Polícia da República de Moçambique), os assassinos encontravam-se no interior de uma viatura, tendo-se colocado em fuga após cumprir a missão. As autoridades afirmam estar a investigar o caso.
Para Venâncio Mondlane, o crime teve motivação política. Acusa às FDS (Forças de Defesa e Segurança) de perseguição política contra os membros da formação política. “Estamos a contar, agora com Anselmo, 56 membros da ANAMOLA brutalmente assassinados pelas Forças de Defesa e Segurança”, declarou Mondlane, assegurando que o seu partido possui registos de 436 casos de violência contra seus membros, envolvendo agressões, detenções e incêndios de residências.
Na sua intervenção, Mondlane descreveu Anselmo Vicente como um “mobilizador nato” e uma figura central na organização do evento político realizado pelo partido no passado dia 18 de Abril, em Chimoio, onde foram empossados coordenadores provinciais, distritais e da diáspora.
O político, que ocupou o segundo lugar nas eleições presidenciais de 2024, afirmou ainda que as denúncias foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério do Interior e à Presidência da República, sem que, segundo ele, tenham sido tomadas medidas concretas.
Durante o seu pronunciamento, Mondlane voltou a acusar a Frelimo de recorrer à violência como resposta política. “A única resposta é bala”, afirmou, sustentando que o crescimento popular da ANAMOLA estaria a provocar reacções repressivas contra os seus membros e simpatizantes.
Além do caso de Anselmo Vicente, Mondlane recordou outros episódios de violência, que envolviam figuras ligadas ao partido, incluindo o assassinato do advogado Elvino Dias, em Outubro de 2024, e atentados contra Joel Amaral, conhecido como MC Trufafá, e Xadreque Francisco, ambos sobreviventes de ataques armados.
O ex-candidato presidencial denunciou igualmente a destruição de casas de membros do seu partido, através de fogo posto, em Moatize, província de Tete, e assassinatos registados na província da Zambézia, associando os casos a um alegado clima de perseguição política no país.
Na mesma comunicação, de pouco mais de 40 minutos, o líder político decretou três dias de luto partidário, cuja observação começou ontem e termina amanhã, em homenagem ao ex-Delegado Político do ANAMOLA, em Chimoio. Durante os três dias, a bandeira do partido estará em meia haste e os membros e simpatizantes da ANAMOLA devem vestir-se de preto em sinal de solidariedade.
Mondlane aproveitou a ocasião para criticar a situação social e económica do país, onde apontou problemas nos sectores da saúde, educação, transportes, segurança e emprego, além de denunciar alegados casos de corrupção e degradação institucional.




