O Presidente da República defendeu esta segunda-feira uma mudança na missão do ensino superior, sustentando que as universidades devem reforçar a ligação à economia, à investigação aplicada e à inovação para responder aos desafios do desenvolvimento nacional. Na abertura da Conferência Nacional do Ensino Superior, Daniel Chapo afirmou que Moçambique precisa de evoluir “de universidades transmissoras de conhecimento para universidades produtoras de soluções”, defendendo instituições capazes de contribuir de forma mais directa para a resolução dos problemas do país.
Segundo o Chefe de Estado, o ensino superior deve assumir um papel activo na industrialização, na modernização da agricultura, na transformação digital, no desenvolvimento da ciência e da tecnologia e na formação de quadros qualificados para responder às exigências do mercado de trabalho. Defendeu, por isso, uma maior aproximação entre universidades, empresas e administração pública, considerando que o conhecimento produzido nas instituições de ensino superior deve traduzir-se em inovação, produtividade e desenvolvimento económico.
Daniel Chapo reconheceu que o sistema continua confrontado com limitações estruturais, apontando o desalinhamento entre a formação e o mercado de trabalho, a reduzida ligação ao sector produtivo, a insuficiente investigação aplicada, as desigualdades territoriais, a pressão sobre a qualidade do ensino e a baixa empregabilidade em algumas áreas de formação. Defendeu que esses desafios exigem uma reforma capaz de aproximar o ensino superior das necessidades concretas da sociedade e da economia.
A Conferência Nacional do Ensino Superior assinala o início da elaboração do Plano Estratégico do Ensino Superior 2026-2035, documento que deverá orientar o desenvolvimento do sector na próxima década. O Presidente apelou à participação das instituições de ensino superior, da comunidade científica, dos estudantes, do sector privado e dos parceiros de desenvolvimento na definição das prioridades do sistema, defendendo um modelo mais inclusivo, moderno e orientado para resultados.
Na intervenção, Daniel Chapo recordou que Moçambique passou de uma única instituição de ensino superior em 1975 para 61 actualmente, com mais de 270 mil estudantes matriculados. Considerou, no entanto, que o principal desafio já não consiste em expandir o acesso, mas em garantir que as universidades formem profissionais capazes de responder às necessidades do país, produzam conhecimento relevante e contribuam para aumentar a competitividade da economia moçambicana.

