O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Prof. Doutor Jorge Ferrão, participa, de 15 a 17 de Junho de 2026, em Macau, Região Administrativa Especial da República Popular da China, na 4.ª Edição do Fórum dos Reitores das Instituições do Ensino Superior da China e dos Países de Língua Portuguesa.
O Fórum decorre em simultâneo com o 35.º Encontro Anual da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), reunindo dirigentes universitários, académicos e representantes de instituições de ensino superior da China, de Macau e dos países lusófonos, num espaço de diálogo sobre cooperação académica, científica, cultural e institucional.
Na sua intervenção, Jorge Ferrão abordou o tema das relações interuniversitárias como ponte para a cooperação científica e cultural internacional entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa, defendendo que as universidades são hoje chamadas a desempenhar um papel estratégico na resposta aos grandes desafios globais, incluindo as mudanças climáticas, a segurança alimentar, as migrações, as pandemias, a inteligência artificial e as desigualdades sociais.
Segundo o Reitor da UP-Maputo, as relações interuniversitárias deixaram de ser uma dimensão complementar da vida académica, passando a constituir uma componente essencial da missão das instituições de ensino superior. Para Jorge Ferrão, nenhuma universidade possui, isoladamente, todos os recursos e competências necessários para responder aos desafios contemporâneos, razão pela qual as redes de cooperação se tornam fundamentais para fortalecer o ensino, ampliar a investigação científica e aumentar o impacto social das universidades.
Na sua comunicação, o Reitor destacou o papel singular de Macau–Hengqin como plataforma estratégica de cooperação internacional. Sublinhou que Macau, pela sua história, localização e vocação intercultural, constitui um espaço privilegiado de encontro entre a China e os países de língua portuguesa. Integrada na Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau, a região apresenta-se como um importante polo de inovação tecnológica, investigação científica e desenvolvimento económico, capaz de aproximar universidades da China, de África, da América Latina, da Europa e da Ásia.
Jorge Ferrão enfatizou, igualmente, a importância da língua portuguesa como instrumento de aproximação entre povos, culturas e instituições. Com mais de 260 milhões de falantes distribuídos por quatro continentes, a língua portuguesa foi apresentada como património cultural partilhado e vantagem estratégica para a cooperação universitária, a produção científica conjunta, a mobilidade académica e o diálogo intercultural.
No domínio da cooperação científica para o desenvolvimento sustentável, o Reitor da UP-Maputo apontou áreas prioritárias em que a colaboração entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa pode gerar resultados concretos, nomeadamente a formação de professores, as tecnologias digitais, a inteligência artificial, a agricultura sustentável, a segurança alimentar, as energias renováveis, a gestão ambiental, a economia azul, o planeamento urbano sustentável, a diversidade linguística e a inclusão social.
Referindo-se à experiência da UP-Maputo, Jorge Ferrão afirmou que a instituição tem vindo a consolidar uma visão estratégica de internacionalização assente na cooperação, na reciprocidade e na construção conjunta de conhecimento. Para Ferrão, as parcerias internacionais mais bem-sucedidas são aquelas construídas com base no respeito mútuo, na confiança institucional e na definição de objectivos comuns.
Falando para um vasto auditório que conta com a presença dos Reitores da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Univerdidade Rovuma (UniRovuma), Universidade Save (UniSave) e outros quadros de instituições de ensino superior de Mocambique, Ferrão defendeu que a cooperação internacional não deve ser entendida apenas como mobilidade académica, mas como ferramenta para reforçar capacidades institucionais, promover a excelência científica e contribuir para o desenvolvimento das sociedades. Nesse sentido, manifestou o interesse da UP-Maputo em aprofundar relações académicas com universidades de Macau–Hengqin e com outras instituições dos países de língua portuguesa.
Apesar das oportunidades existentes, Jorge Ferrão chamou a atenção para desafios que ainda limitam uma cooperação universitária mais robusta, entre os quais as restrições de financiamento, as assimetrias de capacidade institucional, as barreiras linguísticas e tecnológicas, a necessidade de maior articulação entre investigação e políticas públicas, bem como a sustentabilidade dos programas de cooperação a longo prazo.
Na conclusão da sua intervenção, o Prof. Doutor Jorge Ferrão reafirmou que as universidades são, por natureza, instituições de diálogo, encontro e construção colectiva do conhecimento. Ao fortalecerem os laços entre Macau–Hengqin e os países de língua portuguesa, as instituições de ensino superior estarão a investir não apenas na cooperação académica, mas também na construção de um futuro comum assente no conhecimento, na inovação e no respeito pela diversidade cultural e linguística.
A participação da Universidade Pedagógica de Maputo neste Fórum reforça o compromisso da instituição com a internacionalização, a cooperação científica, a mobilidade académica e a valorização da língua portuguesa como espaço de conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável.





