O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, inaugurou, na quarta-feira, (10), o Slab 9A, uma nova infra-estrutura de armazenagem de minérios no Terminal de Granéis Sólidos do Porto de Maputo, num investimento total de cerca de 9,9 milhões americanos.
Dotado de infra-estrutura e equipamentos operacionais, o Slab 9A tem capacidade para acomodar mais de um milhão de toneladas por ano e permitirá ao Porto de Maputo responder ao crescimento da procura dos seus clientes, reforçar a sua competitividade regional e gerar benefícios económicos significativos para o país, incluindo a criação de 51 postos de trabalho directos e indirectos adicionais, refere um comunicado da empresa.
Na sua intervenção, o Ministro dos Transportes e Logística destacou a importância dos investimentos em curso para o fortalecimento do Corredor de Maputo e para o crescimento da economia nacional, sublinhando a necessidade de garantir que o desenvolvimento da capacidade portuária seja acompanhado por melhorias ao longo de toda a cadeia logística.
“A competitividade não é determinada por uma única infra-estrutura. Não é o porto, isoladamente, que compete. É o corredor como um todo. Cada investimento que realizamos no porto deve ser acompanhado por ganhos equivalentes na ferrovia, na fronteira e nos sistemas que suportam o fluxo de mercadorias”, afirmou João Matlombe.
O governante enfatizou particularmente a importância do reforço do transporte ferroviário, da modernização contínua da fronteira de Ressano Garcia e da integração dos sistemas logísticos, de forma a assegurar que o aumento da capacidade portuária se traduza numa maior competitividade do corredor como um todo.
Na mesma ocasião, o director- executivo da MPDC, Osório Lucas, destacou que a nova infra-estrutura responde a uma procura crescente pelos serviços do Porto de Maputo.
“Durante muitos anos, o desafio foi atrair carga para o Porto de Maputo. Hoje, o desafio é criar capacidade suficiente para acomodar a carga que pretende utilizar o Porto”, afirmou.
Avançou que os volumes pretendidos pelos clientes continuam a crescer e já ultrapassam a capacidade actualmente disponível, tornando essencial a criação de novas áreas operacionais para evitar a perda de cargas para portos concorrentes da região.
Osório Lucas anunciou igualmente que a MPDC já está a preparar a próxima fase de expansão, através do desenvolvimento do Slab 9B, um investimento adicional estimado em cerca de 8,7 milhões de dólares, que permitirá continuar a aumentar a capacidade do porto e responder ao crescimento sustentado da procura.
A cerimónia foi antecedida por uma visita às obras de expansão do Terminal de Contentores da DP World Maputo, um investimento de 164 milhões de dólares que irá aumentar a capacidade do terminal dos actuais 225 mil TEUs para 530 mil TEUs por ano.
Durante a visita, foi apresentado o progresso dos trabalhos, que atingiram cerca de 45% de execução global, encontrando-se actualmente na fase de cravação de estacas para a nova infra-estrutura portuária.
Capacidade cresce, desafio desloca-se para o corredor
Durante muitos anos, a narrativa sobre o Porto de Maputo esteve centrada na necessidade de atrair carga.
Os investimentos realizados nas últimas décadas procuravam convencer operadores, exportadores e importadores de que existia uma alternativa competitiva aos grandes portos da região.
Hoje, o discurso mudou.
A inauguração do Slab 9A revela uma realidade diferente: a preocupação já não é encontrar carga, mas criar capacidade suficiente para a receber.
Quando uma infra-estrutura de quase dez milhões de dólares surge para acomodar mais de um milhão de toneladas adicionais por ano, o sinal é claro.
A procura está a crescer mais rapidamente do que o espaço disponível.
Mas o próprio Ministro dos Transportes e Logística chamou a atenção para um aspecto essencial. O porto não compete sozinho. Um corredor logístico vale tanto quanto o seu elo mais fraco. A expansão da capacidade portuária terá impacto limitado se os ganhos não forem acompanhados por melhorias na ferrovia, nos postos fronteiriços e nos sistemas que sustentam o transporte de mercadorias.
A inauguração de uma nova infra-estrutura representa um avanço importante.
O verdadeiro teste começará quando os volumes adicionais chegarem e todo o corredor for chamado a responder à mesma velocidade.





