O Banco de Moçambique prevê que a economia continue a recuperar de forma moderada, para 2027 e para o médio prazo, impulsionada pelo desempenho da agricultura, da indústria extractiva e dos serviços. Entretanto, prevê subida generalizada (e consequente aumento do custo de vida), no primeiro trimestre de 2027 por factores internos e externos.
O alerta foi dado esta quarta-feira pelo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, durante a abertura do 51º Conselho Consultivo da instituição, que decorre na província de Tete. “No que respeita aos preços, antecipamos alguma pressão no curto prazo e uma trajectória de desaceleração no médio prazo”, disse Navalha.
Segundo o Governador do Banco Central, a nível interno, o aumento do custo de vida será justificado pelas incertezas quanto à magnitude da inflação importada, a evolução da dívida pública e dos atrasados do Estado, bem como os impactos dos choques climáticos, com destaque para o fenómeno El Niño. “A nível externo, as incertezas quanto à duração e magnitude dos efeitos das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa sobre os fluxos de comércio internacional, a oferta global de bens e os preços internacionais de combustíveis e alimentos”, acrescentou Navalha.
Caso a tendência de agravamento desses cenários se mantenha, o Banco de Moçambique garante que poderá reverter a actual postura de Política Monetária. “Além das medidas de Política Monetária, continua a ser fundamental a consolidação fiscal, a melhoria do ambiente de negócios e outras reformas estruturais, para sustentar uma rápida recuperação económica e promover a geração de emprego no nosso país”, sublinhou o gestor.
Além de projecções para 2027, no seu discurso, Navalha fez saber que, neste ano, 2026, o crescimento da economia moçambicana se mantém num ritmo moderado, mas “ainda insuficiente para propiciar uma melhoria das condições de vida da população”. Lembrou que, depois da contracção de 0,2% registada em 2025, a economia cresceu em apenas 1,7% no segundo trimestre de 2026, situando-se aquém do potencial e dos objectivos de combate à pobreza no país.
Navalha lembrou igualmente que, após a aceleração da inflação anual de 4,41%, em Abril passado, para 7,51%, em Junho, reflectindo o ajustamento dos preços dos combustíveis líquidos, observou-se um abrandamento para 6,31% em Setembro último.
O Governador do Banco Central reportou ainda que o sistema financeiro se manteve sólido e resiliente. Disse que,em Setembro, o rácio de solvabilidade do sector bancário situou-se em 29,0% e o de liquidez em 55%, ambos acima dos mínimos regulamentares, enquanto o crédito malparado permaneceu em torno de 7,0%.
No mercado cambial, o Banco de Moçambique tem estado a registar um volume elevado de compras e vendas de divisas, associados aos projectos de gás natural e indústria extractiva, num contexto de estabilidade cambial.
“Até Setembro de 2026, as compras de divisas pelos bancos comerciais atingiram 6,50 mil milhões de dólares norte-americanos, um aumento de 859 milhões de dólares face ao período homólogo de 2025, enquanto as vendas aos clientes alcançaram 6,41 mil milhões de dólares, representando mais 718 milhões de dólares”, reportou Navalha.
Entretanto, o Governador do Banco de Moçambique disse que, ao mesmo tempo, têm sido reportadas dificuldades no acesso a divisas, o que evidencia fragilidades no funcionamento do mercado e na distribuição da liquidez disponível no sistema.
“Não obstante, temos a informar que o país mantém um nível razoavelmente confortável de reservas internacionais, equivalente a cerca de cinco meses de importações de bens e serviços excluindo os grandes projectos”, afirmou o gestor. Refira-se que esse é o primeiro Conselho Consultivo que Navalha preside enquanto Governador do Banco de Moçambique.





