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Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

1 de October, 2026

Banco Central mantém taxa MIMO, mas altera regime de reservas obrigatórias

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O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de Política Monetária, taxa MIMO, em 9,25% e alterar o regime de reservas obrigatórias a partir do próximo período de constituição. A decisão foi anunciada, ontem, em Maputo, pelo novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha.

Segundo Navalha, a decisão reflecte, essencialmente, a prevalência de elevados riscos e incertezas quanto ao impacto dos choques climáticos e do prolongamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa, com potenciais efeitos sobre os preços internacionais dos combustíveis e alimentos, num contexto em que a recuperação da actividade económica mantém-se lenta.

“O novo regime de reservas obrigatórias, com a duração de 18 meses, permitirá a dedução, na componente em moeda nacional, do montante correspondente aos novos financiamentos concedidos pelo sistema bancário às empresas que contribuam para a substituição de importações e/ou para o aumento das exportações. A taxa de juro a ser aplicada será a taxa MIMO, podendo ser acrescida de uma margem de 150 pontos base, conforme a finalidade”, detalhou o gestor.

Durante o CPMO, o Banco de Moçambique constatou que as perspectivas da inflação apontam para um aumento, no curto prazo, e uma redução para um dígito, no médio prazo. No curto prazo, antevê um aumento dos preços, impulsionado, entre outros factores, pela inflação importada dos principais parceiros comerciais e pelo aumento dos preços das frutas e vegetais, associado ao fim da época fresca, num contexto de estabilidade do Metical e de procura interna contida.

Entretanto, no médio prazo, a instituição prevê uma desaceleração da inflação para um dígito, explicada, sobretudo, pelas perspectivas de redução dos preços internacionais dos combustíveis e alimentos, associadas a um eventual abrandamento das tensões no Médio Oriente.

Em relação à economia, o CPMO constatou que continuará a crescer, mas de forma moderada, depois de, em termos anuais, o Produto Interno Bruto (PIB) real ter crescido 1,7% no segundo trimestre de 2026, após 0,1% no primeiro trimestre. Este desempenho foi sustentado, essencialmente, pelo sector primário, designadamente a agricultura e indústria extractiva, bem como pelo sector de serviços. No médio prazo, prevê-se que estes sectores, aliados à implementação de projectos em áreas estratégicas, continuem a contribuir para a manutenção de um crescimento moderado da actividade económica.

Em conferência de imprensa, o Governador do Banco de Moçambique fez saber ainda que o mercado cambial continua a registar um volume elevado de compra e venda de divisas, sustentado pela implementação de projectos de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma e pelo desempenho da indústria extractiva, num contexto de estabilidade cambial.

“Entre Janeiro e Agosto de 2026, as compras de divisas pelos bancos comerciais aumentaram em 724 milhões de USD, face ao período homólogo de 2025, atingindo 5,73 mil milhões de USD. No mesmo período, as vendas de divisas pelos bancos aos seus clientes cresceram em 593 milhões de USD, para um total de 5,65 mil milhões de USD” reportou.

O gestor acrescentou que a taxa de câmbio média efectiva praticada pelos bancos comerciais nas operações com os seus clientes, de Janeiro a Setembro de 2026, registou uma depreciação de 0,06% face ao dólar americano e de 14,64% face ao Rand e uma apreciação de 3,92% face ao Euro.

Durante o CPMO, o Banco de Moçambique voltou a constatar que a manutenção dos atrasados da dívida interna e externa continua a condicionar o normal funcionamento do mercado financeiro. Em termos concretos, a dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 546,5 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 71,9 mil milhões de Meticais em relação a Dezembro de 2025, constituindo uma fonte de aumento da liquidez bancária.

“O CPMO reafirma o seu compromisso de assegurar a estabilidade de preços. Neste contexto, para além das medidas de política monetária, continua a ser fundamental a implementação de medidas de consolidação fiscal e de reformas estruturais, visando reforçar a confiança nos mercados, melhorar o ambiente de negócios, mobilizar recursos financeiros externos, aumentar a produção e promover a geração de emprego”, assegurou o Governador do Banco de Moçambique.

Por fim, Felisberto Navalha garantiu que o CPMO continuará a monitorar a envolvente macroeconómica doméstica e internacional, bem assim os riscos prevalecentes, podendo reunir-se extraordinariamente e tomar as medidas correctivas necessárias. A próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 25 de Novembro de 2026.

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