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Actualizado de Segunda a Sexta

11 de September, 2026

Banco de Moçambique: Patronato desafia governador e vice-governadora a garantirem crédito favorável

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A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) desafiou, na última quinta-feira (10), em Maputo, o  novo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, e a nova Vice-Governadora, Benedita Guimino, a trabalharem para que o sistema financeiro conceda crédito favorável para as empresas poderem produzir.

 

Discursando durante o XXIIº Economic Briefing, o Presidente da CTA, Álvaro Massingue, começou por dizer que a nova direcção do Banco Central toma posse num período de enormes desafios para a gestão monetária, cambial e financeira do país.

“Para o sector privado, um dos grandes desafios será encontrar o equilíbrio entre a necessária estabilidade macro-económica, cambial e monetária e a necessidade de garantir condições para financiar a produção, o investimento e o emprego”, afirmou Massingue.

Massingue disse esperar do regulador uma actuação que possa melhorar o funcionamento do mercado financeiro. Apontou a necessidade de uma transmissão mais efectiva das decisões de política monetária para a economia real, permitindo que a redução das taxas de referência se traduza progressivamente em menores custos de financiamento para as empresas.

“Actualmente, apesar da redução acumulada da taxa de juro de política monetária, o custo do crédito continua elevado, com a prime rate do sistema financeiro em 15,50%, antes dos spreads de risco aplicados pelos bancos comerciais”, queixou-se o empresário.

O presidente da CTA disse ainda esperar uma gestão da liquidez que permita reduzir o chamado efeito de compressão do crédito ao sector privado, num contexto em que o elevado endividamento público interno continua a absorver recursos do sistema financeiro.

 

“E, acima de tudo, esperamos maior previsibilidade, comunicação e coordenação das políticas monetária, cambial, fiscal e financeira. O sector privado precisa de estabilidade para planear, de divisas para produzir, de crédito para investir e de confiança para assumir riscos”, sublinhou Massingue.

O sector privado gostaria de ver retomado o Comité de Política Monetária+1, um encontro entre o Banco de Moçambique e o sector privado, após as sessões do Comité de Política Monetária, onde o Banco de Moçambique apresenta a fundamentação e as motivações que terão norteado as suas decisões, bem como esclarecer as dúvidas dos empresários sobre os diversos aspectos relativos à abordagem da política monetária.

Economic Briefing foi organizado pela CTA com o objectivo de analisar as dinâmicas do ambiente de negócios no segundo trimestre de 2026.

Sobre a matéria, Álvaro Massingue disse que o período em análise continuou a ser dominado por condicionalismos para o exercício da dinâmica económica e para o tecido empresarial.

“O segundo trimestre de 2026 ficou marcado pelos sinais de recuperação dos efeitos das calamidades naturais que afectaram várias regiões do país, em especial as cheias nas províncias de Gaza e Maputo, e pelos impactos da crise dos combustíveis, a par com a persistência das restrições no mercado cambial. Estes factores tiveram reflexos directos sobre a economia, as cadeias de abastecimento e a capacidade operacional das empresas”, disse o Presidente da CTA.

Do ponto de vista macro-económico, Massingue explicou, que no período analisado, verificou-se uma aceleração da actividade económica, traduzida no aumento do Índice do Ambiente Macroeconómico, que passou de 55% para 58% no segundo trimestre de 2026, ancorado no aumento ligeiro da procura agregada, no aumento moderado do índice geral de preços, na manutenção da estabilidade de câmbio, bem como na evolução favorável das taxas de juro do mercado com impacto no acesso ao crédito.

 

“Como corolário desta conjuntura complexa, o Índice de Robustez Empresarial registou um aumento de 26% para 27%, evidenciando uma melhoria tímida de apenas um ponto percentual, mas que ganha significado quando consideramos o contexto em que as empresas estão a operar, marcado por sucessivos choques e constrangimentos”, reportou o empresário.

Adicionalmente, apontou que os empresários registaram naquele trimestre uma redução dos prejuízos médios por unidade produzida, que passaram de 522 para 483 Meticais, o que significa que as receitas das empresas cresceram a um ritmo superior ao dos seus custos, num desempenho para o qual contribuíram, entre outros factores, o dinamismo da campanha de comercialização agrícola e a relativa estabilidade da nossa moeda.

Todavia, o Presidente da CTA disse que a classe não interpreta esta melhoria como sinal de que os problemas estruturais estejam ultrapassados, pois o primeiro e mais imediato desafio enfrentado neste período foi o aumento do preço de combustível, antecedido por um período de abastecimento irregular.

“As dificuldades de acesso à moeda externa continuam a limitar a capacidade das empresas de importar matérias-primas, equipamentos, combustíveis e outros insumos essenciais à produção. A estes desafios juntam-se ainda as dívidas do Estado ao sector privado, a degradação das infra estruturas rodoviárias devido às cheias e a falta de manutenção regular, e a burocracia, que continuam a aumentar os custos de fazer negócios”, apontou Massingue.

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