Dados do PMI (Purchasing Managers Index) do Standard Bank Moçambique revelam que a escassez dos combustíveis e as crescentes pressões sobre os preços provocaram o aumento mais acentuado dos encargos com a produção em quase quatro anos. A conclusão consta do mais Relatório do Índice, publicado esta segunda-feira.
De acordo com o Inquérito, elaborado mensalmente pelo Standard Bank para medir a saúde do sector privado nacional, as condições das empresas moçambicanas estabilizaram no mês de Junho, depois de registar uma contracção nos anteriores dois meses.
No entanto, o Relatório refere que a retoma se manteve frágil, sobretudo devido à escassez dos combustíveis. “As pressões relativas aos custos intensificaram-se durante o mês de Junho, com os preços dos meios de produção a subir ao ritmo mais rápido desde Fevereiro. A inflação dos preços de aquisição acelerou, impulsionada sobretudo pela escassez de combustível no mercado interno e pelo aumento dos custos dos materiais, de acordo com os membros do painel”, defende o Standard Bank.
O Inquérito do Standard Bank refere que os custos com pessoal registaram um ligeiro aumento após um mês de estagnação, reflectindo aumentos salariais e ajustes nas políticas governamentais. “Estas despesas crescentes levaram as empresas a aplicar o aumento mais acentuado dos preços de venda desde Setembro de 2022”, revela.
Segundo o Standard Bank, em Junho, o PMI Moçambique situou-se no seu nível neutro (50,0 pontos), registando um ligeiro aumento em relação aos 49,9 e 49,8 registado em Maio e Abril, respectivamente. Refira-se que indicadores acima de 50,0 apontam para uma melhoria das condições das empresas, enquanto indicadores abaixo de 50,0 mostram uma deterioração. “A recuperação foi sustentada por expansões modestas na produção e novas encomendas, assinalando as primeiras melhorias desde Março [em que registou uma pontuação de 50,2]”, explica a fonte.
O Standard Bank afirma que as condições das cadeias de abastecimento para as empresas moçambicanas revelaram sinais tímidos de melhoria em Junho. Revela que os prazos de entrega diminuíram pela primeira vez em três meses, embora a redução global tenha sido ligeira devido às perturbações contínuas decorrentes do conflito no Médio Oriente.
Contudo, o documento consultado pela “Carta” reporta que as melhorias ligeiras registadas na produção e nas novas encomendas, em Junho, foram “anuladas por inventários mais reduzidos e por uma ligeira diminuição dos constrangimentos na cadeia de abastecimento”.
“As empresas reduziram os volumes de aquisição ao ritmo mais acelerado desde Março, com quase o dobro das empresas a registarem quedas em comparação com as que registaram aumentos. Esta contracção, aliada às recentes perturbações no abastecimento, levou a uma descida dos níveis de inventário ao ritmo mais acentuado desde Dezembro de 2024”, descreve a fonte, relatando, em contrapartida, que a afluência de novos negócios voltou a registar crescimento pela primeira vez em três meses, tendo os inquiridos referido a obtenção de novos clientes, os lançamentos de produtos e a renovação de stockscomo os principais factores.
Olhando para o futuro, o Standard Bank entende que as empresas apresentaram um novo aumento da confiança, com o nível de optimismo a atingir o valor mais elevado dos últimos três anos. Esta melhoria, defende, foi atribuída às previsões de expansão do mercado e de crescimento das vendas, assinalando um optimismo mais generalizado em relação ao próximo ano, apesar dos contínuos desafios operacionais.
Refira-se que o PMI do Standard Bank Moçambique é compilado mensalmente pela firma norte-americana S&P Global a partir das respostas aos questionários enviados aos directores de compras de um painel de cerca de 400 empresas do sector privado. O painel é dividido por sector específico e dimensão das empresas em termos de número de colaboradores, com base nas contribuições para o Produto Interno Bruto. O Inquérito abrange sectores da agricultura, mineração, manufactura, construção, comércios grossista e retalhista e serviços. (Carta)




