As Reservas Internacionais Líquidas moçambicanas caíram 18% em Março, para mínimos de mais um ano, de 3.486 milhões de dólares (2.960 milhões de euros), após o Governo as usar para liquidar a dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Estas reservas – divisas, em moeda estrangeira, necessárias à importação de bens e serviços – estavam a crescer, todos os meses, desde setembro, até atingirem o máximo histórico de 4.258 milhões de dólares (3.616 milhões de euros) em fevereiro, conforme dados de um relatório estatístico do Banco de Moçambique, a que a Lusa teve ontem acesso.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou em 09 de abril como “corajosa” a decisão de liquidar total e antecipadamente a dívida de 630 milhões de euros ao FMI, recorrendo às Reservas Internacionais Líquidas (RIL) do país.
“Esta corajosa decisão deve ser vista de forma positiva e estratégica, como um sinal inequívoco da responsabilidade macroeconómica e do reforço da estabilidade internacional de Moçambique. E porque, igualmente, a dignidade de um povo não tem preço”, disse Chapo.
“Por isso, continuaremos a adoptar medidas que estimulem a produção interna, a atracção de mais investimentos, através do fortalecimento de um ambiente de negócios mais favorável e uma economia cada vez mais competitiva”, acrescentou, insistindo na disponibilidade para um novo programa de apoio do FMI, em negociação desde 2025.
O Ministério das Finanças confirmou anteriormente que fez uma “amortização integral e antecipada” de 698.587.604 dólares (630 milhões de euros) em 23 de março, junto do FMI, liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).
“Nós pagámos o serviço da dívida que temos com o FMI com recurso a RIL do país. Então, são reservas que já dispõem ou que estão disponíveis a nível das instituições financeiras internacionais”, explicou então a ministra das Finanças, Carla Louveira.
O volume anterior destas reservas garantia a cobertura de mais de cinco meses de necessidades de exportação de Moçambique. Contudo, face às queixas de falta de divisas na banca por parte dos empresários, fonte do Governo moçambicano ouvida pela Lusa em março já tinha admitido estar em estudo a possibilidade de baixar esse nível de reservas.
É que apesar do volume de RIL, os empresários também se queixavam de falta de acesso a divisas, que necessitam para importação de bens, conforme apontou ainda em novembro o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue.
“A escassez de divisas é hoje uma emergência económica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contratos e não crescem. O Estado deve garantir prioridade no acesso a divisas para empresas produtoras e exportadoras e criar incentivos para quem exporta e substituir as importações”, disse Massingue.





