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20 de May, 2026

Ataques Terroristas: Administrador de Quissanga esteve temporariamente detido por suspeita de desvio de comida

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O Administrador do distrito de Quissanga, província de Cabo Delgado, Sidónio José, esteve temporariamente detido na passada quinta-feira, 14 de Maio, suspeito de estar envolvido num esquema de desvio de produtos alimentares destinados às famílias deslocadas.

Segundo fontes policiais, tudo começou quando uma viatura com matrícula AKJ 510 MP foi interpelada no Posto de Controlo de Muepane, no distrito de Metuge, na noite daquele dia, por uma equipa multissectorial composta por agentes da Polícia de Trânsito, de Protecção e membros do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).

Na viatura seguiam, para além do motorista (afecto aos serviços distritais de abastecimento de água), dois funcionários da Secretaria distrital de Quissanga. Durante a fiscalização, os agentes da Polícia encontraram quantidades consideráveis de produtos alimentares, entre eles, 70 sacos de arroz e óleo alimentar, facto que levou as autoridades a levantar suspeitas de desvio de comida.

De acordo com as fontes, os produtos em causa apresentavam características semelhantes aos distribuídos às vítimas dos ataques terroristas, no âmbito de programas de assistência humanitária destinados àquele grupo social. Em sua defesa, os funcionários terão declarado que os produtos pertenciam ao administrador de Quissanga e que apenas tinham recebido ordens para os transportar até à cidade de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado.

Apesar da suposta revelação, os ocupantes da viatura foram detidos e conduzidos a uma unidade policial local e, mais tarde, para uma das esquadras da cidade de Pemba. Ao tomar conhecimento do sucedido, Sidónio José, que também viajou para a cidade de Pemba no mesmo dia (para participar de uma reunião convocada pelo Secretário de Estado de Cabo Delgado), deslocou-se à esquadra para apurar os contornos do caso.

Entretanto, para o seu azar, acabou detido para esclarecer às autoridades sobre a origem e o destino dos produtos alimentares apreendidos. O Administrador só foi liberado por volta das 16h00 do dia seguinte, após alegada intervenção de superiores hierárquicos. Ainda não há quaisquer informações sobre os passos subsequentes tomados pelas autoridades, como, por exemplo, a abertura ou não de um processo-crime contra o dirigente.

À “Carta”, um membro do governo distrital de Quissanga admitiu a possibilidade da comida apreendida ter sido desviada no Posto Administrativo de Mahate. Aliás, a fonte suspeita que os bens podem ter saído da residência do Chefe do Posto Administrativo de Mahate, que também foi chamado a prestar esclarecimentos às autoridades, em Pemba.

Fontes do governo distrital de Quissanga asseguram que, numa reunião interna, Sidónio José terá acusado os seus colegas de perseguição política e administrativa, alegando que a apreensão dos referidos produtos alimentares resultou de denúncias feitas de Quissanga.

Refira-se que o caso de suposto desvio de produtos alimentares surge numa altura em que o Administrador de Quissanga enfrenta críticas em diferentes sectores da sociedade local, devido à sua postura antipática, com destaque para as constantes pressões sobre os professores para que estes regressem às zonas ainda consideradas inseguras. Aliás, vários residentes da vila-sede de Quissanga e da localidade de Bilibiza defendem a sua transferência, porém, a sua ligação ao sector castrense continua a beneficiá-lo, numa região ainda afectada pela insurgência armada.

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