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16 de September, 2025

Também pelo 7 de Setembro

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Cheguei ao Centro de Preparação Político-Militar de Boane sem saber o que me esperava, não podia imaginar. A bandeira nacional, que simbolizaria a nossa independência, ainda não havia subido ao topo do mastro, o que viria a acontecer, segundo o previsto nos Acordos de Lusaka, no dia 25 de Junho de 1975 no Estádio da Machava, e eu estava naquele patamar com uma AKM nas minhas mãos. Chovia chuva miúda, e quando chove assim, segundo o poeta, é porque algo de importante vai acontecer.

Mas o meu desembarque em Boane vai acontecer no dia 29 de Janeiro desse mesmo ano, num quartel com cerca de dois mil mancebos vindos de todo o país, e eu pertenço ao grupo que acaba de pisar uma das plataformas mais importantes da nossa liberdade. E da minha vida em particular.

Sou imberbe, tenho apenas 17 anos e um corpo despreparado para embates físicos. Nunca peguei numa arma de guerra, nem numa pêpêchá, nem mesmo num artefacto de caça ou de brincadeira. Jamais obedeci a ordens militares, e também foi a primeira vez que formei bicha para comer. Tinha comida a rodos no armazém, deixada pelo exército colonial que já se havia retirado, deixando tudo para um amanhecer longamente esperado nas noites de pólvora.

Tremi pela primeira vez ao ouvir uma saraivada de balas disparadas por três instrutores de entre eles Maurício Madebe, um makonde irredutível capaz de se atirar ao fogo em defesa da causa de todos. Atirava a meia altura enquanto os instruendos rastejavam de verdade, simulando ataque a uma base do inimigo, e eu estava ainda a chegar, num grupo de perto de duzentos recrutas que vinham de Inhambane.

O quartel está localizado numa zona semi-árida, sem, portanto, árvores frondosas que nos dariam sombra. No tempo de verão como agora que estamos a chegar, é uma fornalha, e no inverno o frio seca os ossos. Mas eu já estou num estágio em que não posso voltar para trás, nem será esse o meu desejo. Quando parti, contra a vontade dos meus pais e irmãos, estava preparado para o pior.

Fomos distribuídos por duas casernas e as beliches davam para todos. Há mantas e lençóis e almofadas, tudo limpo. Uma situação que foi, todavia, degenerando com o tempo. Mas o que nunca faltou é comida, embora numa determinada altura fosse difícil alimentar a todos, éramos muitos, cerca de dois mil homens e uma cozinha a lenha.

É isso: no meio desta história longa da minha passagem por Boane, ficará o registo do porte militar de Dinis Moyane, um personagem que se vai destacar pela voz tremenda que pode ser ouvida nitidamente de uma distância de 500 metros, mesmo estando no interior de uma Land Rover em movimento. Moyane era temido. Não precisava de apito para acordar os recrutas nas madrugadas em teste à sua prontidão. Era a voz que troava em todo o centro como um leão que ruge nas savanas e nas planícies.

Então, hoje, dia 7 de Setembro, lembro-me desse alvorecer. E desce sobre mim o dever de dar uma continência aos comandantes Mário Sive, Paulo Chirodze, Armando Chanfota, Manuel Mandjiche, Sungura, João Alone, e ao próprio Maurício Madebe.

Bayete, comandantes!

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