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9 de September, 2026

Metical não tem condições para ser moeda de uso transacional na região da SADC, escreve JFFJ

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Tenho o maior apreço e respeito pela nova Vice Governadora do BM mas manda me a consciência que alerte para a fragilidade desta pretensão de num futuro próximo sermos capazes de colocar o Metical como moeda transacionavel na região e fora de portas do nosso País.

Seria bom mas esta pretensão não se transforma numa realidade só porque queremos e porque implementamos o RTGS.

Para que uma moeda nacional passe a ter uso transacional a nível internacional — servindo como moeda de troca, reserva de valor e unidade de conta fora das suas próprias fronteiras —, ela precisa de cumprir um conjunto de condições macroeconómicas, políticas e institucionais.

De uma forma simples diria que há pelo menos quatro condições básicas fundamentais que devem subsistir:

1- Estabilidade Económica e Poder de Compra

Nenhum agente internacional aceitará uma moeda que desvaloriza rapidamente. A estabilidade económica garante previsibilidade a longo prazo.

* Baixa Inflação: um histórico de inflação controlada garante que a moeda retém o seu valor ao longo do tempo.

– Solidez Orçamental: políticas fiscais e monetárias prudentes evitam crises de dívida soberana que possam minar a confiança na moeda.

2- Estabilidade Política e Segurança Jurídica

A moeda reflete diretamente a força das instituições do país que a emite.

* Estado de Direito: Investidores e governos estrangeiros precisam de ter a certeza de que os seus ativos não serão confiscados e de que os contratos serão cumpridos.

* Independência do Banco Central: um banco central livre de interferências políticas de curto prazo sinaliza que a moeda não será intencionalmente desvalorizada para fins eleitorais.

3- Liquidez e Mercado Financeiro Desenvolvido

Para ser transacional, a moeda tem de estar disponível em grande escala e ser fácil de comprar ou vender a qualquer momento.

* Dimensão Económica: o país emissor deve ter uma quota significativa no comércio global e um PIB expressivo (como os EUA ou a Zona Euro).

* Mercados de Capitais Profundos: é essencial a existência de mercados financeiros sofisticados (como mercados de obrigações de tesouro líquidos) onde os detentores estrangeiros possam aplicar a moeda com segurança e rendimento.

4- Convertibilidade Total (Ausência de Controlos de Capital)

Esta última condição, é muitas vezes a derradeira barreira que impede grandes economias de internacionalizarem as suas moedas.

* Livre Fluxo de Capitais: o dinheiro deve poder entrar e sair do país sem restrições ou autorizações governamentais burocráticas.
Exemplo prático: O Renminbi (Yuan) da China, apesar de pertencer à segunda maior economia do mundo, vê o seu uso transacional internacional limitado pelo forte controlo que o Banco Popular da China ainda exerce sobre a saída de capitais e a taxa de câmbio.

É salutar e até bonito o sonho que a Vice Governadora proferiu mas há que ter os “pés” bem assentes na terra.
(JFFJ)

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