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8 de September, 2026

Em breve o Metical será moeda de referência na SADC tal como o Rand – Benedita Guimino

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A moeda nacional, o Metical, poderá ser utilizada em países da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral) como divisa regional (moeda de referência no sistema de pagamentos da região), tal como o Rand da África do Sul (desde Outubro de 2019) e o Kwanza de Angola (desde Julho de 2026).

A informação foi avançada por Benedita Guimino, momentos após tomar posse como Vice-Governadora do Banco de Moçambique, a primeira mulher a ocupar o cargo desde a criação da instituição em 1975. “O Banco do Moçambique já trabalhou muito, num futuro que posso considerar próximo, a nossa moeda vai passar a ser usada na região para liquidação. Transações é uma questão de soberania, traz este aspecto da soberania, mas também traz o aspecto de gestão de divisas”, afirmou.

Guimino fez saber que a implementação da medida será no âmbito do Sistema de Transferência e Liquidação Interbancária em Tempo Real, designado em inglês por Real-Time Gross Settlement (RTGS), da SADC e já operacional em Moçambique desde Novembro de 2023. Como vantagem, a gestora disse que Moçambique não precisará do Rand para fazer transações na região, além de outras moedas regionais e internacionais como o dólar norte-americano e o euro.

Falando à imprensa sobre os desafios que a esperam no exercício das suas funções, Guimino apontou também a inteligência artificial no apoio à formulação da Política Monetária e bem como na digitalização e automação dos processos do Banco de Moçambique.

“Incentivar a digitalização dos serviços financeiros neste país de forma a atingir as pessoas, atingir quem mais precisa, chegar a aproximar a quem produz, a quem transporta, a quem vende e a quem consome. Só assim se pode dinamizar as Micro, Pequenas e Médias Empresas e também apoiar aquelas nossas mães, aqueles nossos jovens que estão a empreender”, acrescentou a recém-empossada.

Guimino desafia-se também a trabalhar para a introdução, em Moçambique, de finanças corporativas, área dos bancos que atendem assessoria e fornece soluções financeiras avançadas para empresas de médio e grande porte, ajudando-as a gerenciar recursos, investir e crescer.

“Também está em curso a aprovação de normativos para as finanças participativas. O que são finanças participativas? São aquelas finanças que são articuladas e tratadas com procedimentos relativamente diferentes dos actuais. Aliás, dos tradicionais. Sem juros, por exemplo, é um dos aspectos. Então, os normativos estão em curso”, acrescentou a gestora.

Entretanto, não menos importante, a primeira Vice-Governadora do Banco de Moçambique propôs-se a continuar a dar o seu contributo observando a Lei Orgânica, que é manter a estabilidade de preços, por um lado, e a estabilidade do sistema financeiro, por outro, plasmado na supervisão das instituições de crédito e sociedades financeiras.

Para o Presidente da república, Daniel Chapo, a nomeação de Benedita Maria Guimino à função de Vice-Governadora do Banco de Moçambique constitui reconhecimento de um percurso profissional de mais de duas décadas naquela instituição. A empossada ingressou em 1999, tendo acumulado experiência em áreas importantes, da emissão e circulação monetária aos sistemas de pagamento e à estabilidade financeira, tendo também chegado ao cargo de Administradora e Membro do Conselho de Administração da instituição.

À nova Vice-Governadora, o Chefe de Estado exigiu o reforço da integridade do sistema financeiro moçambicano e o aprofundamento da sua capacidade de financiar a economia, defendendo que o sistema bancário deve estar cada vez mais orientado para o investimento produtivo, a industrialização e a criação de emprego. Apelou ainda para que as decisões do Banco de Moçambique não percam de vista a realidade económica do país, defendendo que a instituição deve considerar o impacto das suas políticas sobre famílias, trabalhadores e empresas.

Em termos de desafios, Daniel Chapo destacou a premência da preservação da estabilidade macroeconómica e cambial, a defesa da credibilidade do Metical, a promoção da inclusão financeira e do financiamento à economia, bem como a coordenação entre as políticas monetária, fiscal e financeira e o reforço da supervisão bancária.

O Chefe do Executivo apontou a defesa permanente da integridade do sistema financeiro e o seu aprofundamento, através do reforço da prevenção e combate ao branqueamento de capitais e outras formas de criminalidade financeira, bem como da mobilização da poupança nacional e diversificação dos instrumentos de financiamento.

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