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18 de August, 2026

Novos aviões da LAM vão melhorar operações, mas seu estado vai exigir mais gastos – especialista

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A Air Mozambique colocou esta segunda-feira (17) em operação o Embraer 190 “Zambeze”, a segunda de duas novas aeronaves adquiridas no âmbito do processo de recuperação, modernização e reforço da capacidade operacional da companhia.

O especialista em aviação Alves Gomes entende que os aviões irão melhorar as operações da companhia, mas alerta que em breve terão de ir à manutenção, devido ao estado dos aparelhos.

 A aeronave “Zambeze” realizou o seu primeiro voo comercial na rota Maputo-Beira-Maputo, poucos dias depois da entrada em operação do Embraer 190 “Limpopo”, na ligação Maputo-Nacala-Maputo. A entrada em operação dos dois aparelhos permite à companhia reforçar a capacidade operacional, aumentar a regularidade dos voos e melhorar as ligações entre diferentes províncias do país.

Falando na cerimónia de recepção da aeronave, o Presidente do Conselho de Administração da LAM, Agostinho Langa, considerou a entrada em operação do “Zambeze” um marco no processo de recuperação da companhia, sublinhando que os novos veículos são instrumentos para recuperar capacidade operacional, reforçar a conectividade e melhorar a serviço aos passageiros.

Por sua vez, o Secretário de Estado dos Transportes e Logística, Chinguane Mabote, destacou a importância do reforço da capacidade da companhia de bandeira para a mobilidade nacional, salientando que o transporte aéreo tem uma dimensão económica e social, ao aproximar pessoas, mercados e oportunidades.

A entrada em operação do “Zambeze” ocorre no âmbito da nova fase da companhia, que passa a apresentar-se sob a identidade institucional Air Mozambique, uma marca que traduz a ambição de uma companhia mais moderna, eficiente, competitiva e orientada para os passageiros.

 

Aparelhos terão de ir à manutenção em breve

 

Em entrevista à “Carta”, o jornalista e especialista em aviação Alves Gomes também entende que as aeronaves vão melhorar as operações da companhia, mas alertou que, devido ao seu estado que exigiu remodelações, logo após a compra, os aparelhos terão de voltar a manutenção dentro de poucos meses.  

“Primeiro, a escolha do Embraer 190 não é uma escolha errada, porque a LAM tem pessoas qualificadas para operarem essa aeronave, tanto a nível de manutenção como a nível de cabina. Portanto, faz sentido. Onde as coisas, eu diria, ‘a porca torce o rabo’, é no tipo, na qualidade, no estado em que as aeronaves foram compradas. Comprovadamente, aquelas aeronaves não valiam 25 milhões de dólares”, disse Gomes.

Segundo a fonte, olhando para a qualidade das aeronaves, após a aquisição, “a história de irem pintar é falsa, como todos nós sabemos, é uma mentira descarada, porque um dos aviões nem sequer estava em condições de voar daqui para Joanesburgo. Teve de vir um motor da outra aeronave que estava na África do Sul para Maputo, para ela poder ir para a pintura. Isso está comprovado, há documentação. Portanto, foi uma má compra”.

A nossa fonte disse que se as aeronaves estivessem em boas condições, não precisariam de mais de seis meses para a pintura.

Considerou que a pintura para aquele tipo de aviões leva em média 15 dias. “Falta saber quanto é que gastaram para pôr as aeronaves a voar, porque o tempo em que ficaram na África do Sul foi para resolver o problema de as tornar operacionais. Tiveram de ir pôr a voar e isso custou muito dinheiro, de certeza absoluta”, disse Gomes.

Devido ao estado em que se encontravam após a compra, o nosso entrevistado deu a entender que precisarão em breve de outra manutenção, o que implicará em mais custos à companhia de bandeira. “A informação que eu tenho é que daqui a oito meses vão ter de voltar para a manutenção. Quando as aeronaves são sujeitas a um determinado tipo de manutenção têm um determinado número de horas de voos. E quando eu estou a dizer oito meses, estou a fazer contas de que a aeronave vai ser utilizada, vamos dizer, duzentas e cinquenta horas por mês”, explicou o especialista.

Refira-se que uma auditoria interna a que o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) teve acesso revela falhas graves, contratos irregulares e suspeitas de interferência política na compra das referidas aeronaves pela Comissão de Gestão supervisionada pelos presidentes dos Conselhos de Administração das empresas Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Tomás Matola, Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa e Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), Janfar Abdulai.

A empresa tem como gestor máximo o sérvio-australiano, Dane Kondic, que ocupa o cargo de presidente da Comissão de Gestão.

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