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13 de August, 2026

LAM posiciona na Beira avião alugado no Quénia

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A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) colocou na cidade da Beira, a partir de quarta-feira (12), uma aeronave alugada, para o reforço das ligações aéreas interprovinciais entre as regiões Centro e Norte do país. Trata-se de um Bombardier CRJ 200, com capacidade para 50 lugares, alugado no Quénia.

O recurso ao aludido aparelho para o reforço dos trajectos naquelas duas regiões do país acontece quando duas aeronaves Embraer 190 que a LAM submeteu à reparação e pintura na África do Sul ainda não estão a voar. Para o especialista em aviação Alves Gomes, a decisão de posicionar a aeronave naquela cidade parece lógica, porém, acarretará elevados custos para a transportadora nacional, porque se trata de aeronave alugada com a tripulação.

A partir da Beira, a aeronave realizará voos para Tete, Quelimane, Nampula, Pemba e Nacala, criando ligações mais directas entre estas províncias e facilitando a mobilidade de passageiros, empresários e outros cidadãos.

A LAM explica em comunicado que a decisão se enquadra no processo de reestruturação da empresa e no reforço gradual da conectividade aérea nacional, posicionando a cidade da Beira como um ponto estratégico da rede doméstica da companhia. A operação irá contribuir para aproximar diferentes regiões do país e facilitar a circulação de pessoas e bens.

“A nova operação constitui igualmente mais uma etapa dos esforços da LAM para reforçar a sua capacidade operacional, melhorar a conectividade nacional e responder de forma mais eficiente às necessidades de mobilidade dos passageiros”, acrescenta a nota. O voo inaugural realizou-se no início da tarde de quarta-feira, a partir do Aeroporto Internacional da Beira.

 

Prós e contras da decisão

 

Ciente do actual contexto em que a LAM se encontra ultimamente, nomeadamente, atrasos e cancelamentos de voos, bem como operações dependentes maioritariamente de aeronaves alugadas com a tripulação, “Carta” contactou o jornalista e especialista em aviação Alves Gomes, para falar do impacto da medida. Gomes disse que a decisão parece lógica, tendo em conta a extensão do país, mas alertou para impactos negativos por se tratar de uma aeronave alugada.

“A ideia não é nova, quer em Moçambique, quer noutros países. Dada a extensão do nosso país, é uma decisão que me parece lógica. Porque colocando uma aeronave na Beira, ela pode ser abastecedor de passageiros para o mercado do Centro e Norte do país, bem como receber daquelas regiões para o Sul”, disse Gomes.

O nosso entrevistado disse ainda fazer sentido a decisão da LAM, olhando para o tipo de aeronave, uma Bombardier CRJ 200 com capacidade para 50 lugares, porque os mercados de Tete, Quelimane, Pemba e Nacala (com a excepção de Nampula) são pequenos. Entretanto, o especialista mostrou reservas quanto ao impacto da medida no que diz respeito à programação (cumprimento de horários) e fiabilidade da operação.

“Quando falo de fiabilidade, estou a falar em garantir que a aeronave está sempre disponível para fazer esses voos. Que se tiver avarias é imediatamente substituída. Vocês estão a falar de uma aeronave que vem do Quênia para a qual a LAM não tem hangar na Beira, nem serviços de manutenção, isso vai implicar ter uma base de manutenção mínima para aquela aeronave na Beira”, explicou Gomes.

Aliado à fiabilidade, o especialista tocou elevados custos decorrentes do aluguer da aeronave. “Relativamente aos custos, claro que os custos vão ser mais altos do que aqueles que seriam se a LAM tivesse aeronave própria, incluindo serviço de manutenção adequado àquela aeronave, etc.”, disse Gomes.

O especialista acrescentou que ciente de que geralmente a LAM faz alugueres do tipo wet lease (pacote completo incluindo a tripulação, manutenção e seguros), automaticamente, a empresa não vai usar as suas tripulações, “mas terá de pagar salários a pessoas que formou, para ficarem em casa, porque não podem voar”.

A LAM posicionou a aeronave numa altura em que a Solenta Aviation operadora da marca Fastjet se prepara para voar em Moçambique, baseado na cidade da Beira. Entretanto, para o especialista em aviação, a medida não constitui um conflito de interesse “porque a frota da Fastjet é uma frota que eu penso que está adequada ao mercado. E se for bem operacionalizado, a competição não é assim tão forte”. (Evaristo Chilingue)

 

 

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