A escassos dias do fim do seu segundo mandato de cinco anos, como Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela disse que está pronto para deixar o cargo para outra pessoa. Disse ainda que se sente realizado e grato ao antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, pelo convite para trabalhar e contribuir para o desenvolvimento de um país que o viu nascer.
Falando aos jornalistas, na semana finda, após a reunião do Comité de Política Monetária, Zandamela disse que sempre esteve pronto para deixar o cargo. “Ao próprio Presidente [da República, Filipe Nyusi], eu sempre disse que estou preparado para partir, quando a minha missão já não fizesse sentido. [Cumpri a missão] incumbida pelo Chefe de Estado, através do juramento que fiz”, disse Zandamela.
O gestor revelou que a posição de Governador do Banco de Moçambique é a mais longa que teve na sua carreira profissional e, por isso, não via a hora de partir. Outrossim, disse que deixa o cargo porque não tem cultura de ocupar cargos vitalícios. “Eu sou impaciente, não sei se vocês sabiam. Eu não sou uma pessoa de sentar com posições. Estive no Fundo Monetário Internacional durante muito tempo. Mas esta é a posição mais longa que tive na minha carreira profissional. Preciso fazer outras coisas. Dar espaço aos outros”, afirmou Zandamela.
Apesar de ter tido muito tempo no cargo, o gestor disse-se realizado. “Estou numa fase da vida profissional de serenidade completa. Sabe porquê? Porque me sinto realizado. Ademais, já não estou numa fase de andar a bater portas à procura de emprego. Fiz isso há muito tempo. Se há necessidade, hão-se aproximar aqueles que quiserem”, afirmou o Governador do Banco Central.
Todavia, independentemente de se sentir ou não realizado, Zandamela reiterou que iria largar o cargo para outro imprimir uma nova dinâmica no Banco de Moçambique. “Se depois de dez anos, você diz que tem que continuar porque não cumpriu a sua missão, alguma coisa está errada. Se não cumpriu, é bom dar espaço ao outro. Mas se cumpriu, também é bom dar espaço ao outro para uma nova dinâmica. Esta é a minha visão. Então, eu estou todos os dias preparado para largar o cargo”, reiterou o gestor.
Por fim, disse estar grato, principalmente ao antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, pelo convite para trabalhar em prol do desenvolvimento do país que o viu nascer e crescer. Sublinhou que Nyusi deu o aval para governar, sem amarras políticas. “Estou grato, muito grato pela oportunidade que me deu de regressar a Moçambique, aprender, crescer e contribuir para o país que me viu nascer”, concluiu Zandamela.
Nyusi nomeou Rogério Lucas Zandamela para o cargo de governador do Banco de Moçambique, em finais de Agosto de 2016, em substituição de Ernesto Gove, que terminou o mandato após dez anos a dirigir os destinos da instituição, cuja missão principal é preservar o valor do Metical.
Nascido em Inhambane, em 1957, Zandamela é doutorado em Economia pela Universidade John Hopkins (1987) dos Estados Unidos da América. É funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 1988, tendo exercido sucessivamente as funções de representante-residente da instituição no Brasil e de Chefe de Missão do FMI para Arménia, Costa Rica, Gâmbia, Guatemala.
Foi também chefe de Missão do FMI na Libéria, Malásia, Nicarágua, Peru, Trinidade e Tobago e Zimbabwe, no Departamento de Mercados Monetários e de Capital. Exerceu ainda as funções de Chefe de Missão para Djibuti e Somália, no Departamento do Médio Oriente e Ásia Central. (Evaristo Chilingue)





