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28 de July, 2026

ENH omite “gastos com administração” após duras críticas sobre salários milionários

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A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), a petrolífera do Estado, omitiu, no Relatório e Contas de 2025, informações sobre gastos com os cinco administradores da companhia, incluindo o presidente, após duras críticas feitas em 2025, sobre os salários milionários auferidos pelos gestores, relatados pelo Relatório e Contas de 2023.

Entretanto, várias outras empresas públicas continuam a reportar claramente os gastos com todo o pessoal, incluindo especificamente os da administração, nos seus Relatórios e Contas. É o caso da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), Electricidade de Moçambique (EDM) e empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM).

Com base no Relatório e Contas da ENH de 2023, “Carta” noticiou que cada administrador da ENH recebeu, em média, naquele ano, 32.5 milhões de Meticais, o equivalente a 2.7 milhões de Meticais por mês (42.2 mil USD). De acordo com o Relatório e Contas de 2023, os cinco administradores receberam no total 162.6 milhões de Meticais.

De um modo geral, a petrolífera do Estado despendeu 1.046 mil milhões de Meticais para todos os 212 trabalhadores da empresa até àquele ano, o equivalente a uma média de 3.3 milhões de Meticais para cada trabalhador, por ano e, 280.8 mil Meticais por mês.

Estes salários chorudos suscitaram várias críticas no seio da sociedade moçambicana. Em causa esteve o facto de que a ENH paga aqueles ordenados num dos principais países mais pobres do mundo, onde mais de 80% da população vive abaixo de três dólares americanos por dia (192 Meticais), de acordo com o Banco Mundial e onde o salário mínimo, na função pública, é de cerca de nove mil Meticais.

Além dos salários milionários, no Relatório e Contas da ENH de 2023, saltaram também à vista outras regalias, como “benefícios de aquisição de viaturas”. Nesta rubrica, a ENH gastou 63.9 milhões de Meticais em 2023, contra 66.2 milhões de Meticais em 2022. Todavia, nos anos económicos de 2024 e 2025, essa rubrica também foi omissa.

Apesar da omissão de informações, os gastos com o pessoal dispararam em 2025. De acordo com o Relatório e Contas referente ao ano económico findo a 31 de Dezembro de 2025, a ENH gastou em “remunerações de pessoal” 1.161 mil milhões de Meticais contra 999.4 milhões registados em 2024.

Entretanto, em 2025, não aumentaram apenas os salários, mas também todos os gastos com os trabalhadores (encargos sobre remunerações, formação, assistência médica e funerária, ajudas de custos, alimentação, entre outros). Os gastos totais com o pessoal atingiram 1.3 mil milhões de Meticais contra 1,116 mil milhões de Meticais registados em 2024.

No Relatório, a ENH explica que “o incremento no exercício de 2025 é explicado maioritariamente pelas novas admissões de colaboradores e respectivos encargos fiscais e outros encargos associados à formação e assistência médica”. Apesar dessa justificação, a petrolífera do Estado não precisou o número de novas admissões.

Contrariamente, a HCB, EDM e CFM não omitiram gastos com a administração

A omissão de informações sobre os gastos com a administração não é uniforme no sector empresarial do Estado. O jornal vasculhou e constatou que a HCB, EDM e CFM, por exemplo, fizeram constar nos seus relatórios e contas, referentes a 2025, os gastos com todo o pessoal, incluindo, especificamente, com os administradores. Desses relatórios consta, ainda, a actualização do número de trabalhadores.

Em 2025, a HCB, EDM e CFM despenderam, cada, com o pessoal, um total de 4.258 mil milhões de Meticais (contra 4,200 mil milhões de 2024), 8.5 mil milhões de Meticais (contra 8.3 mil milhões de 2024) e 7,078 mil milhões de Meticais (contra 7,057 mil milhões de 2024) respectivamente.

Dos referidos montantes, a HCB pagou 210.5 milhões de Meticais em remunerações e subsídios aos administradores da empresa (contra 225.3 milhões em 2024). A EDM pagou, do total de gastos com o pessoal, 250.3 milhões de Meticais (contra 264.9 milhões em 2024).

Já os CFM pagaram, de mais de 7 mil milhões de Meticais de custos com o pessoal, 146,107 milhões de Meticais (contra 153,421 milhões de Meticais em 2024).

No ano económico em análise, a HCB teve 736 trabalhadores (contra 741 em 2024), a EDM operou com 4.350 empregados (contra 4.073 em 2024) e os CFM detinham no ano em análise 5.375 funcionários (contra 6.560 de 2024). (Evaristo Chilingue)

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