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27 de July, 2026

Xenofobia na RSA: Mais de 72.000 estrangeiros repatriados desde 7 de junho

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Setenta e dois mil e novecentos e seis (72.906) estrangeiros foram repatriados da África do Sul, entre 7 de Junho e 14 de Julho deste ano, 354 processos criminais registados e quase 29 mil casos judiciais relacionados a imigração finalizados (maioria referente a deportações), à medida que se intensificam as operações de gestão migratória em todo o país. A maior parte dos repatriados ou deportados provêm de Estados-membros da SADC, como Malawi, Zimbabwe e Moçambique.

O balanço foi divulgado este domingo (26) pelo Comite Inter-Ministerial sobre Migração (IMC na sigla em inglês), detalhando a actuação da Autoridade de Gestão das Fronteiras (Border Management Autority-BMA) e dos centros de processamento temporário.

O governo de Moçambique confirmou a chegada de um pouco mais de 1400 repatriados no decorrer desta crise xenófoba no país vizinho. Segundo dados do Executivo, já morreram 11 moçambicanos, vítimas de ataques xenófobos.

Falando este domingo, em nome do Comité Interministerial sobre Migração, a Ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mmamoloko Kubayi, disse que os últimos desenvolvimentos fazem parte do Plano de Cinco Pontos do governo, que visa fortalecer a gestão da migração, a segurança das fronteiras e a aplicação da lei.

A ministra informou sobre a intensificação das acções policiais contra à imigração ilegal, incluindo tráfico de pessoas, exploração laboral, quadrilhas de falsificação de documentos e actividades de mineração ilegal.

Até ao momento, as autoridades policiais registaram 354 casos de prisões e processos contra estrangeiros que infringiram a Lei de Migração. Outras 69 pessoas foram presas em Jeffrey’s Bay no último fim-de-semana. “O governo está deixando claro que a gestão da migração é fundamentalmente uma questão de Estado de Direito. A criminalidade não será tolerada, independentemente de quem esteja envolvido”, disse Kubayi.

O Comité também revelou que tribunais de imigração especializados finalizaram 28.736 casos relacionados à imigração entre abril e junho de 2026, sendo que Gauteng representou quase metade de todos os casos.

Em relação à segurança nas fronteiras, Kubayi afirmou que as autoridades realizaram 93 operações conjuntas desde abril, visando o tráfico de pessoas e de mercadorias ilícitas e os cartéis de drogas.

Informou também que o governo estava a preparar-se para lançar grandes projectos de infra-estruturas de fronteira e modernizar seis dos postos de entrada e saída mais movimentados da África do Sul, incluindo Lebombo, Beit Bridge, Maseru e Kopfontein.

O IMC aproveitou a ocasião para condenar indivíduos que realizam verificações de identidade não autorizadas de cidadãos estrangeiros e empresas, fazendo-se passar por funcionários do Ministério do Interior. “Queremos instar todos os envolvidos nessa prática errada a desistirem dela ou enfrentarem o rigor da lei”, alertou Kubayi.

Ela confirmou que sete pessoas já haviam sido presas em Polokwane em conexão com tais actividades. O Comité criticou ainda as tentativas de alguns grupos de resistir às operações policiais, fazendo referência às recentes tensões em Bellville, onde cidadãos estrangeiros supostamente confrontaram as autoridades durante uma operação de fiscalização. “Gostaríamos de emitir um forte alerta contra aqueles que prejudicam o trabalho de nossos agentes da lei, sob pena de sofrerem as consequências”, disse Kubayi.

Pretória avalia impacto económico das deportações

Uma equipa governamental está em contacto com as empresas para avaliar a eventual escassez da mão-de-obra na sequência do combate cerrado a imigração, particularmente nos sectores da agricultura, turismo e pequenas empresas.

A ministra Kubayi afirmou que um grupo de trabalho composto pelos departamentos de comércio, indústria e concorrência, agricultura, emprego e trabalho, turismo, ensino superior e desenvolvimento de pequenas empresas recebeu duas semanas para dialogar com as indústrias e determinar se houve escassez de mão-de-obra.

“Queremos entender o impacto que isso teve na economia e se há escassez de mão-de-obra qualificada em sectores específicos. Também queremos determinar se os sul-africanos podem ser treinados ou formados para preencher essas vagas, de modo a combater o desemprego, e ao mesmo tempo responder aos desafios da migração”, disse.

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