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10 de July, 2026

UEM continua a graduar menos de metade dos estudantes admitidos por ciclo de formação

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A Universidade Eduardo Mondlane, a maior e mais antiga instituição de ensino superior em Moçambique, continua a graduar menos de metade dos estudantes que admite em cada ciclo de formação. A situação tem contribuído para o aumento da população estudantil e preocupa a direcção da universidade, que já pretende realizar um estudo para identificar as causas do fenómeno e encontrar soluções.

A informação foi avançada pelo reitor da Universidade, Manuel Guilherme Júnior, durante a Reunião Anual daquela instituição, que serviu também para a apresentação do Balanço da Missão de Ensino e Aprendizagem referente ao período de 2021 a 2025.

Segundo o Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), o número de graduações da instituição continua significativamente abaixo do volume de admissões. De acordo com os dados divulgados ontem, a taxa de graduação corresponde, em média, a cerca de 30% do número de estudantes admitidos. Parte significativa dos estudantes não conclui os cursos dentro do período regulamentar de quatro anos, contribuindo para a acumulação de alunos na instituição.

Dados dos últimos cinco anos (2020-2024) consultados pela “Carta” mostram uma tendência preocupante. Em 2020, a UEM admitiu 5.422 estudantes, mas apenas 1.440 concluíram os respectivos cursos. Em 2021, dos 5.050 estudantes admitidos, somente 1.349 graduaram-se. Em 2022, ano em que a universidade registou o maior número de admissões no período em análise, com 5.649 estudantes, apenas 1.581 concluíram a formação. Já em 2023, embora as admissões tenham diminuído para 5.150 estudantes, o número de graduados aumentou para 1.834, o valor mais elevado dos últimos cinco anos. Em 2024, foram admitidos 5.132 estudantes e graduaram-se 1.514.

No conjunto do período analisado, a UEM admitiu, em média, mais de cinco mil estudantes por ano, mas graduou apenas cerca de 1.500 anualmente. Isto significa que mais de três mil estudantes permanecem, em média, no sistema para além do tempo previsto de formação. Tomando como exemplo o ciclo iniciado em 2020, dos 5.422 estudantes admitidos, apenas 1.514 concluíram os cursos no fim do ciclo, em 2024. “Cada ano vamos acumulando estudantes. O grupo que entra não sai todo dentro do tempo regular, o que faz aumentar o número total de estudantes na universidade”, reconheceu o Reitor.

Perante este cenário, a UEM pretende aprofundar a análise das causas da baixa taxa de graduação. Para o efeito, o Gabinete de Estudos Institucionais, o Registo Académico e a Direcção Pedagógica deverão realizar um estudo destinado a identificar os factores que condicionam o sucesso académico e propor medidas para inverter a tendência.

Apesar das dificuldades ao nível da graduação, a universidade assinala uma evolução positiva na pós-graduação. Nos últimos anos verificou-se um aumento do número de graduados nos cursos de mestrado, enquanto os programas de doutoramento mantêm níveis relativamente estáveis. Ainda assim, a instituição considera necessário reforçar as estratégias para aumentar o número de doutorados, numa altura em que pretende expandir a oferta de formação pós-graduada.

Procura continua muito acima da oferta

Os dados apresentados mostram igualmente que a procura pelos cursos da UEM continua muito superior à capacidade de admissão da instituição. Entre 2021 e 2025, a universidade recebeu, em média, cerca de 25 mil candidatos por ano, mas disponibilizou entre 4.500 e 5.500 vagas, um número condicionado pelas limitações de infra-estruturas e capacidade instalada.

O curso de Medicina continua a ser o mais concorrido, registando 3.440 candidatos para apenas 90 vagas. Seguem-se os cursos de Direito, com 2.286 candidatos para 70 vagas, e de Engenharia Informática. A direcção reconhece que a oferta de vagas permanece muito aquém da procura, sobretudo nas áreas tradicionalmente mais concorridas.

O reitor reconheceu ainda que a Universidade Eduardo Mondlane registou igualmente mudanças no perfil dos estudantes admitidos. Em 2025, as mulheres representaram 54% dos novos ingressos, depois de, em 2024, se ter verificado um equilíbrio entre homens e mulheres (50% para cada sexo). Em 2023, as admissões femininas correspondiam a 52%.

Contudo, embora a população estudantil continue maioritariamente masculina, o número de estudantes do sexo feminino tem vindo a crescer de forma consistente. Em 2023, a universidade contabilizava cerca de 18 mil estudantes do sexo feminino; em 2024 esse número subiu para cerca de 20 mil e, em 2025, atingiu aproximadamente 22 mil.

Segundo a instituição, esta evolução resulta do aumento das admissões femininas registado nos últimos anos e que se deverá reflectir, progressivamente, na composição da população estudantil.

Persistem diferenças na escolha dos cursos

A universidade continua a observar diferenças nas preferências académicas entre homens e mulheres. As candidatas tendem a optar por cursos tradicionalmente ligados às áreas da saúde e dos cuidados, como Medicina e Biologia e Saúde. O curso de Jornalismo continua igualmente a registar uma elevada procura por parte das mulheres.

Já os homens continuam a concentrar-se maioritariamente nas Engenharias. Ainda assim, a UEM destaca um crescimento gradual do número de mulheres interessadas por estas áreas, sinalizando uma tendência para um maior equilíbrio na distribuição por cursos.

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