Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

1 de July, 2026

Xenofobia na RSA: mais de 50 casas de moçambicanos incendiadas em Pretória

Escrito por

Dados do Governo moçambicano indicam que pelo menos 51 cidadãos nacionais viram suas residências incendiadas na região de Mamelodi,em Pretória, na vizinha África do Sul, no contexto da escalada de tensão associada ao dia 30 de Junho, data apontada por grupos anti-imigração como prazo para a saída de cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular.

Em comunicado de actualização diária da situação de insegurança na designada “terra do rand”, o Governo diz que, para além de residências, as vítimas perderam os seus bens. Neste momento, encontram-se sob protecção policial e estão já em curso diligências para o seu repatriamento.

“Na região de Durban e áreas adjacentes continuam igualmente a ser reportados casos de intimidação e agressões contra cidadãos moçambicanos, obrigando muitos a abandonar temporariamente as suas residências”, relata o Executivo, sublinhando que o dia de ontem foi marcado por um ambiente de elevada tensão, reforço das medidas de segurança pública e manifestações localizadas em várias províncias daquele país.

“Embora a violência generalizada temida pelas autoridades não se tenha materializado à escala prevista, continuam a registar-se incidentes isolados de agressão, intimidação e deslocações forçadas de cidadãos estrangeiros”, defende a nota de imprensa emitida pelo Governo, revelando que as manifestações contra migrantes negros africanos ocorreram nas províncias de Gauteng (Joanesburgo e Pretória), Cabo Ocidental, North West e KwaZulu-Natal, com forte presença policial. Em várias cidades, estabelecimentos comerciais permaneceram encerrados e os transportes públicos funcionaram de forma condicionada.

O Executivo assegura que as Missões Diplomáticas e Consulares de Moçambique na África do Sul mantêm o acompanhamento permanente da situação e continuam a prestar assistência e protecção consular aos cidadãos afectados.

Intensifica regresso de moçambicanos perante clima de incerteza e receios de insegurança

Enquanto isso, intensificou-se, esta terça-feira, o regresso de moçambicanos ao país, na sequência do fim, ontem, do ultimato dado por organizações anti-imigração sul-africanas no âmbito do recrudescimento da xenofobia naquele país africano.

A fronteira de Ressano Garcia, no distrito da Moamba, na província de Maputo, e o Terminal Interprovincial da Junta, na cidade de Maputo, tornaram-se os pontos principais de chegada de moçambicanos e malawianos idos da África do Sul, onde há mais de dois meses, grupos de cidadãos protagonizam actos de xenofobia contra migrantes negros africanos.

“Carta” deslocou-se ontem ao Terminal da Junta, onde recolheu testemunhos de cidadãos que decidiram abandonar temporariamente a África do Sul e regressar ao país, muitos deles apenas com documentos pessoais e poucos bens. As vítimas de mais uma onda de violência xenófoba sul-africana afirmam ter deixado bens pessoais e pertences na África do Sul, com a intenção de regressar assim que a “poeira baixar”. “Deixei os meus bens lá, mas quando chegar a casa vou tratar da situação e depois regressar”, relatou Américo Marcos Matusse.

Da fronteira da África do Sul, o cenário era idêntico. Com sacolas nas mãos, vários cidadãos regressavam ao país aos prantos, chorando pelos negócios e diversos bens deixados para com a finalidade de salvar vidas. Aliás, informações partilhadas na noite de ontem por uma cidadã à TV SUCESSO indicam que perto de duas dezenas de moçambicanas encontravam-se retidos na fronteira de Lebombo (o lado sul-africano da fronteira de Ressano Garcia) por falta de documentos de viagem. Parte das vítimas dizem que não conseguiram levar os seus passaportes durante o processo de fuga. (Carta)

Visited 91 times, 91 visit(s) today

Sir Motors

Ler 100 vezes