A psicóloga clínica Teresa Rodrigues, que se dedica ao estudo da saúde mental de crianças, adolescentes e jovens, alerta para os impactos do uso excessivo da tecnologia na saúde e no desenvolvimento infantil.
Falando esta terça-feira num webinar promovido pelo Ministério da Saúde, a especialista explicou que, apesar da tecnologia fazer parte do quotidiano e trazer benefícios importantes para a comunicação, aprendizagem e socialização, o seu uso sem moderação pode provocar consequências negativas no desenvolvimento emocional, cognitivo e físico das crianças.
Segundo Teresa Rodrigues, as plataformas digitais, quando utilizadas de forma equilibrada e com supervisão dos pais ou encarregados de educação, podem estimular a criatividade, fortalecer relações sociais e ampliar o acesso ao conhecimento. Crianças com dificuldades de interação presencial, por exemplo, podem encontrar nesses ambientes oportunidades de conexão e inclusão.
No entanto, o cenário muda quando o tempo de exposição se torna excessivo. Entre os principais riscos apontados pela especialista estão alterações na atenção e concentração da criança, dificuldades no desenvolvimento da linguagem, redução da capacidade de resolver conflitos interpessoais e maior dependência de estímulos rápidos, como notificações e interações nas redes sociais.
A especialista destacou, por exemplo, que crianças e adolescentes, por estarem em fase de desenvolvimento cognitivo, apresentam maior impulsividade e menor capacidade de avaliar riscos, tornando essencial o acompanhamento dos adultos. Outro ponto enfatizado foi o papel dos pais como modelo de comportamento digital.
Segundo Teresa Rodrigues, não basta impor limites. Os adultos também devem demonstrar hábitos saudáveis no uso dos dispositivos electrónicos. “A criança aprende muito pelo exemplo”, referiu.
A psicóloga alertou ainda para situações em que a ausência de atenção emocional dentro do ambiente familiar pode levar crianças e adolescentes a procurar apoio inadequado em ambientes digitais, onde nem sempre conseguem distinguir conteúdos seguros de orientações prejudiciais.
Entre os sinais de alerta relacionados com problemas de saúde mental associados ao uso excessivo de tecnologia estão alterações persistentes de comportamento, isolamento social, irritabilidade, perturbações do sono, dificuldades emocionais e queixas físicas recorrentes sem causa clínica aparente.
Durante a apresentação, foram também partilhadas recomendações internacionais sobre o uso saudável de ecrãs. Para crianças, o contacto deve ser limitado e supervisionado, privilegiando conteúdos de qualidade e intervalos regulares. Além disso, recomenda-se evitar dispositivos durante as refeições, desligar os aparelhos antes de dormir e manter o acompanhamento do conteúdo consumido.
A especialista reforçou que existem serviços de apoio em saúde mental disponíveis nas unidades sanitárias e linhas de assistência do Ministério da Saúde para acompanhamento e orientação às famílias.



