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17 de June, 2026

Empréstimos frenéticos ao Estado afectaram balanços dos bancos – defende Economista

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Os cinco maiores bancos comerciais moçambicanos registaram uma queda agregada de 70,4% nos resultados líquidos de 2025, penalizados pela exposição à dívida pública moçambicana, após cortes de rating, de acordo com dados coligidos pela Agência Lusa, a partir dos relatórios e contas divulgados recentemente.

O sector bancário moçambicano totalizou lucros de 5.099 milhões de Meticais, sofrendo uma diminuição dos resultados líquidos de 12.131 milhões de Meticais em termos absolutos.

Em entrevista à “Carta”, o economista Egas Daniel considera que o financiamento desenfreado da banca ao Estado afectou duramente os balanços. “A banca comercial foi alimentando o Estado, sem freio. Seguiram este padrão e parece que estão a chegar ao seu limite, face às dificuldades do Estado em honrar as suas dívidas. (….) Os bancos sentem nos seus dividendos a falta de remuneração a tempo e hora do que deram”, enfatiza Daniel, mestre em Economia no IGC-Moçambique, entidade co-dirigida pela London Economics and Political Science e pela Universidade de Oxford.

Por outro lado, continua, a taxa de juros tem estado a cair, tornando os bilhetes e os títulos do Tesouro comprados ao Estado cada vez menos rentáveis. “Os bancos ganham menos com compra de títulos e obrigações e já não podem aplicar com muita confiança os seus recursos ao Estado”, realça aquele economista, distinguido na XI Conferência Científica do Banco Central em Junho de 2019.

O Estado moçambicano recorreu abusivamente ao mercado doméstico, para se financiar, devido à redução do apoio externo, na sequência da descoberta das dívidas ocultas, em 2016, recorda Egas Daniel.

Daniel sublinha que os títulos de Tesouro passaram a ser o principal instrumento de financiamento público, porque o seu reembolso é de curto prazo, ao contrário dos bilhetes de Tesouro, cuja amortização é de médio prazo. “A dívida ao Estado é um instrumento apetecível para os bancos comerciais, porque o Estado não fali, mas quando falha pagamentos, afecta os resultados dos bancos”, assinalou.

A asfixia da dívida pública colocou o Estado numa situação de default mesmo em relação aos credores internos, repetindo uma situação que já se tinha verificado em relação aos credores externos.

Egas Daniel sublinha que a banca foi secundarizando o sector privado, preferindo a opção pela dívida soberana, o que limitou os recursos disponíveis para as empresas e reduzindo as receitas do Estado e a capacidade deste de honrar os seus compromissos.

“A banca, de forma inovadora, tem de ver o sector produtivo que era olhado com desconfiança. É importante animar o sector privado para o Estado arrecadar receita e ser capaz de pagar à banca comercial”, frisou.

O perfil de risco do Estado deteriorou-se, apesar de ser devedor de risco nulo, porque os bancos sabem que serão pagos menos tempos mais tempo, mas a situação fiscal foi se deteriorando, prossegue.

Os esforços de contenção da despesa não têm surtido resultados, devido ao impacto da pandemia de covid-19, da guerra Rússia-Ucrânia e da paralisação dos projectos de gás natural liquefeito (GNL), por causa da insegurança na província de Cabo Delgado.

“Quando o Estado se financia com os bancos, o sector privado produtivo não recebe o estímulo para a produção e contribuir para o crescimento e o Estado também não mobiliza receita, porque a dinâmica económica influencia a receita”, frisa

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