O Ministro dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique, Estevão Pale, desafiou a classe empresarial privada nacional e estrangeira para incrementar o investimento no sector de energias renováveis. O desafio foi apresentado durante a 5.ª Conferência Empresarial Renováveis em Moçambique (RENMOZ 2026), ocorrido, na semana finda, na Cidade de Maputo.
“Alcançar o acesso a energia, industrializar o país, gerar emprego e aumentar a competitividade da economia implicam grandes investimentos, e para os alcançar o sector privado ocupa um lugar central na nossa visão para o país”, afirmou Pale.
A Estratégia de Transição Energética aprovada pela Resolução n.º 61/2023 de 29 de Dezembro estima necessidades de financiamento de 18.6 mil milhões de dólares até 2030 e superiores a 80 mil milhões de dólares até 2050.
Entretanto, dados divulgados durante a Conferência, indicam que entre 2013 e 2024, foram investidos 755 milhões de dólares em energias renováveis em Moçambique, mas apenas 20% tiveram origem no sector privado, evidenciando a importância de instrumentos de mitigação de risco, financiamento estruturado e maior envolvimento de investidores privados.
O Embaixador da Alemanha em Moçambique, Ronald Münch, também destacou a importância das parcerias para acelerar a implementação de projectos. “O foco agenda da RENMOZ 2026 é passar da oportunidade à implementação concreta, e as parcerias são fundamentais. A Alemanha está empenhada em aproximar todos os actores do sector energético, de forma a acelerar a concretização de projectos no terreno”, afirmou o diplomata.
Por seu turno, o Presidente da Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER), Ricardo Pereira, disse que a organização que dirige acredita que o melhor de Moçambique está ainda à nossa frente. AMER estará sempre ao lado de quem trabalha para fazer este sector avançar”, apontou Pereira.
Durante a RENMOZ 2026 decorreram sessões de negócio que permitiram apresentar oportunidades concretas em geração, transmissão, mini-redes, usos produtivos de energia e cozinha limpa. A EDM destacou 16 projectos de geração e 11 projectos de transmissão, num volume superior a 4,6 mil milhões de dólares.
A HCB apresentou projectos estratégicos, incluindo a Nova Central Norte, de 1.245 MW, uma central solar de 400 MW e a modernização da Central Sul, num conjunto de oportunidades superior a 3,1 mil milhões de dólares.
A Conferência foi também espaço para a apresentação da 5ª Edição do “Resumo: Renováveis em Moçambique”, publicação que sistematiza os principais dados, avanços, desafios e oportunidades do sector. O documento confirma o forte potencial do país, num contexto em que a taxa de electrificação atingiu 66,4% em 2025, com a meta de alcançar o acesso universal até 2030.
Dados do documento indicam que a capacidade instalada deverá mais do que triplicar, passando de cerca de 2,9 GW em 2025 para cerca de 9,5 GW em 2032, mantendo-se as energias renováveis como componente dominante da geração eléctrica.
Organizada pela AMER e pela Associação Lusófona de Energias Renováveis, em parceria com o programa europeu GET.invest, financiado pela União Europeia e pela Alemanha, a RENMOZ 2026 contou com apoio das autoridades moçambicanas e de vários parceiros internacionais, no âmbito da abordagem Team Europe, bem como a parceria estratégica da Fundação de Voluntários Holandeses.





