O Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) iniciou a instalação de estações de monitoria da qualidade do ar em unidades sanitárias da cidade e província de Maputo, no âmbito do projecto BLAZE. A informação é avançada pela instituição, revelando que a iniciativa visa gerar dados abertos sobre poluição atmosférica e apoiar a formulação de políticas públicas para a protecção da saúde e do ambiente.
Em uma nota publicada em sua página na internet, o CISM explica que a pesquisa surge no âmbito do projecto BLAZE (Building an Open-Air Quality Ecosystem in Mozambique) e é financiada pelo Energy Policy Institute at the University of Chicago (EPIC), com objectivo de criar um ecossistema nacional de dados abertos sobre a qualidade do ar, com enfoque na monitoria de partículas finas (PM2.5).
Num contexto em que a poluição atmosférica continua a representar um desafio para a saúde pública, refere a nota, o projecto procura produzir evidências científicas sobre a qualidade do ar em zonas urbanas e rurais, contribuindo para a consciencialização da população e para o desenvolvimento de políticas ambientais mais eficazes.
Assim, no âmbito da iniciativa, foram instalados nove monitores de baixo custo em igual número de unidades sanitárias, entre as quais, o Hospital Provincial da Matola, o Hospital Geral da Machava, o Hospital Rural de Xinavane, o Hospital Geral José Macamo e o Centro de Saúde de Xipamanine. O projecto inclui dois monitores de referência, localizados na Manhiça e no campus da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.
Segundo Hermínio Cossa, investigador principal do projecto, os locais foram seleccionados devido à elevada densidade populacional e à intensa actividade económica e industrial, factores frequentemente associados à degradação da qualidade do ar e ao aumento da exposição da população à poluição atmosférica.
O CISM revela que dados preliminares recolhidos pelas estações apontam para níveis de poluição entre moderados e elevados. “Os níveis de poluição são altos a moderados, o que indica ambientes poluídos e, na sua grande maioria, ar impróprio para respirar”, afirmou Hermínio Cossa, citado pela nota.
Para Cossa, os resultados do projecto poderão apoiar mudanças concretas no país. “Espera-se que os cidadãos e os tomadores de decisão compreendam a magnitude da poluição atmosférica e adoptem medidas práticas para promover um ar mais limpo, incluindo políticas de controlo de emissões e de protecção da saúde pública”, referiu.
O CISM garante que os dados recolhidos serão disponibilizados gratuitamente, em tempo real e em regime de acesso aberto, permitindo apoiar a revisão de políticas e normas nacionais, reforçar a fiscalização ambiental e incentivar mudanças comportamentais que reduzam a exposição da população a poluentes nocivos.
A iniciativa conta ainda com a participação de investigadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona, numa colaboração que pretende fortalecer a produção e disponibilização de dados sobre poluição atmosférica em Moçambique. Actualmente, a monitoria rotineira de partículas finas (PM2.5) no país continua limitada e fragmentada, dificultando uma avaliação mais precisa dos impactos da poluição do ar na saúde pública.

