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Maputo -

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4 de May, 2026

Xenofobia leva Escola São Gabriel a retirar África do Sul das homenagens do Dia de África

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A Direcção da Escola Secundária São Gabriel, no município da Matola, província de Maputo, anunciou a exclusão da vizinha África do Sul da lista de países homenageados durante as celebrações do Dia de África, em resposta aos recentes episódios de xenofobia registados naquele país.

Em comunicado dirigido à comunidade escolar, a instituição revela que, anualmente, cada turma escolhe um país africano para homenagear, destacando elementos da sua cultura e história. No entanto, os recentes ataques contra cidadãos estrangeiros, na vizinha África do Sul, levaram a Direcção da escola a excluir a homenagem àquele país por considerar que os cidadãos daquele país violaram os princípios de respeito, solidariedade e união entre povos africanos, valores que norteiam as celebrações do Dia de África.

“Assim, a Direcção da Escola decidiu que, a partir do presente ano, a África do Sul deixa de integrar a lista de países a serem homenageados”, refere a nota, garantindo o compromisso da Escola com a promoção do respeito mútuo, inclusão e valorização da diversidade cultural africana.

Refira-se que a África do Sul vive, há quase duas semanas, mais uma nova onda de ataques xenófobos, direccionada a cidadãos estrangeiros, na sua maioria africanos. Os actos ocorrem na sua maioria nas cidades de Johanesburgo e Durban.

Relatos de moçambicanos residentes naquele país indicam que, desde sábado, os actos de violência terão diminuído de intensidade, embora permaneça a incerteza quanto à evolução da situação. Em Johanesburgo, os actos provocaram ainda a destruição de várias habitações, construídas com material precário.

O Governo considera “bastante lamentável” a situação que se vive na “terra do rand”. “É uma situação lamentável, bastante lamentável e estamos todos muito tristes com o que temos estado a assistir”, disse Ivete Alane, Ministra do Trabalho, Género e Acção Social.

Até ao momento, o Governo moçambicano diz ainda não ter quaisquer dados oficiais que indiquem a situação dos trabalhadores nacionais naquele país. No entanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação promete reagir esta segunda-feira.

Refira-se que a tensão provocada pelos ataques xenófobos está a afectar o movimento migratório nas fronteiras entre os dois países, sobretudo na Posto Fronteiriço de Ressano Garcia. Milhares de moçambicanos estão retidos na Fronteira de Lebombo, há mais de 10 horas, tentando entrar na vizinha África do Sul.

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