A Presidente do Conselho de Administração da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Graça Machel, foi distinguida, esta sexta-feira, em Luanda, com o Prémio “Individualidade Lusófona 2026”, atribuído pela Forbes África Lusófona, em reconhecimento pelo seu contributo para a promoção dos direitos humanos e do desenvolvimento em África.
A distinção destaca um percurso de várias décadas dedicado à promoção da educação, à defesa dos direitos das mulheres e das crianças, bem como ao desenvolvimento sustentável no espaço lusófono e no continente africano.
“Numa altura das nossas vidas, decidimos que não nos pertencíamos a nós próprios. Dedicámo-nos à luta de libertação nacional e, neste momento, evoco muitos, em particular Agostinho Neto, Aristides Pereira e Samora Machel, só para citar alguns que caminharam connosco”, afirmou durante o discurso de agradecimento, perante, entre outros, companheiros de luta como Maria Eugénia Neto, viúva de Agostinho Neto, e Pedro Pires, figura histórica do nacionalismo cabo-verdiano e Presidente da República entre 2001 e 2011, também distinguido na mesma ocasião com o Prémio “Individualidade Lusófona 2026”.
O prémio sublinha o papel de personalidades que, para além da esfera política, têm influenciado políticas públicas e mobilizado diferentes sectores em torno de causas estruturais, como a educação, a igualdade de género e a inclusão social.
Nascida Graça Simbine, em Moçambique, construiu um percurso marcado pela intervenção política e social desde cedo. Em 1968, integrou a Casa dos Estudantes do Império e, no contexto da luta anti-colonial, aproximou-se da FRELIMO, onde viria a desempenhar um papel activo.
Após a independência, foi Ministra da Educação de Moçambique, período em que liderou reformas no sistema educativo num contexto de reconstrução nacional.
Ao longo da sua trajectória, colaborou com organismos internacionais, como a UNESCO e o UNICEF, contribuindo para estudos sobre o impacto dos conflitos armados na infância e para a definição de políticas orientadas ao desenvolvimento humano.
A sua intervenção tem sido marcada pela defesa dos direitos das mulheres e pela contestação de práticas tradicionais que limitam o seu desenvolvimento, afirmando-se como uma das vozes mais influentes no debate sobre igualdade de género em África.
A distinção reforça o reconhecimento do seu papel enquanto referência de liderança com propósito, num contexto em que o continente africano continua a enfrentar desafios que exigem respostas integradas e sustentáveis.





