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13 de April, 2026

Exportações de energia caem mais de 200 milhões de USD devido à seca que afecta HCB

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Dados da Balança de Pagamentos, referente ao terceiro trimestre de 2025, publicados pelo Banco Moçambique, revelam que a receita de exportação de energia no referido período caiu mais de 40%, em relação a igual período de 2024. Em causa está a seca severa que, nos últimos anos, tem afectado a produção e venda de energia pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB).

“As vendas de energia eléctrica renderam cerca de 318 milhões de dólares americanos no terceiro trimestre de 2025, o que corresponde a uma redução anual de 217 milhões de dólares (40,6%), determinada pelas condições hidrológicas adversas e por problemas técnicos registados num dos principais fornecedores, os quais limitaram o volume de energia disponível para exportação”, lê-se na Balança de Pagamentos.

O Banco de Moçambique não menciona o fornecedor, mas sabe-se que, nos últimos dois anos, a HCB tem vindo a queixar-se da seca severa que está a afectar seriamente a produção e exportação de energia para os países vizinhos. Para reverter o cenário, a empresa está a implementar o Plano Capex Vital 10 anos, que prevê reabilitar a central eléctrica (sul) e subestações, construir uma nova central (norte) e construir uma central solar na província de Tete. Esses projectos vão incrementar de 2075 Megawatts por ano, para 4000 Megawatts anuais até 2024.

Além de energia eléctrica, o carvão mineral também registou queda anual das receitas de exportação naquele período, no montante de 335 milhões de USD, explicada pelas paralisações na produção do carvão metalúrgico por parte de algumas empresas do sector e uma variação negativa de 13,1% no preço médio deste produto no mercado internacional. No terceiro trimestre de 2025, o carvão mineral rendeu ao Estado 1.2 mil milhões de USD, contra 1.5 mil milhões no período homólogo de 2024.

No terceiro trimestre de 2025, caíram igualmente as receitas de exportação dos produtos tradicionais em 174 milhões de USD, influenciada, essencialmente, pela redução registada em rubis (de 41 milhões de USD), amendoim (29 milhões), tabaco (16 milhões), açúcar (22 milhões) e legumes e hortícolas (de 6 milhões de USD).

Em relação a rubis, a Balança de Pagamentos descreve que contribuíram para a redução das exportações, em resultado da queda do volume exportado em cerca de 60%, influenciada pela baixa qualidade do produto extraído e pela fraca capacidade de produção, condicionada pela morosidade na importação de acessórios necessários à manutenção dos equipamentos.

“Tabaco – a redução da receita decorreu, fundamentalmente, do decréscimo de cerca de 24% no volume exportado, quando comparado com igual período de 2024; e o açúcar – as receitas diminuíram em 22 milhões de USD, devido aos eventos climáticos ocorridos no primeiro semestre de 2025, aliados à paralisação de uma das principais fábricas envolvidas na produção”, relata a Balança de Pagamentos.

Por causa da queda das exportações de energia eléctrica e carvão mineral, as exportações da economia moçambicana no geral, para o resto do mundo totalizaram 5.7 mil milhões de USD, correspondendo a uma redução de 470 milhões de USD face ao terceiro trimestre de 2024.

Entretanto, nem todos os produtos exportados por Moçambique caíram no terceiro trimestre de 2025. As receitas de exportação de alumínio e gás natural aumentaram em 260 milhões de USD e 29 milhões de USD, respectivamente, impulsionadas tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado.

Incrementaram também as receitas provenientes da castanha de caju em 18 milhões de USD, impulsionado pelo aumento dos volumes exportados. Ainda assim, esta variação positiva não foi suficiente para compensar a tendência de queda observada nas exportações dos restantes produtos tradicionais.

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