Os cerca de 700 milhões de USD pagos pelo Estado moçambicano ao Fundo Monetário Internacional (FMI) foram desembolsados pelo Banco de Moçambique e visavam blindar o “balanço” do Banco de Moçambique.
“O Estado decidiu assim, reembolsar as obrigações com o FMI. O reembolso antecipado das obrigações de Moçambique para com o FMI permite preservar o balanço do Banco do Banco Central e, assim, a sua capacidade de preservar a estabilidade macro-economica”, refere-se numa nota enviada à Carta de Moçambique.
A nota avança que o Governo moçambicano continua a cooperar com o FMI, para um novo programa de financiamento ao país, prosseguir a estabilidade macro-económica e o desenvolvimento do país.
“No dia 23 de Março, o Estado moçambicano procedeu ao reembolso antecipado da totalidade das obrigações do país associado ao Fundo da Redução da Pobreza e o Crescimento [PRGT] do FMI”, refere a nota.
A posição do Governo moçambicano segue-se a críticas como a do pesquisador Joe Hanlon de que o paós pagou “desnecessariamente um empréstimo bonificado do FMI em vez de pagar aos professores e aos profissionais de saúde não é racional – pelo menos à primeira vista”.
O texto do Ministério das Finanças, a que Carta de Moçambique teve acesso, realça que o Banco Central foi o avalista dos acordos que permitiram o desembolso dos referidos montantes, ao abrigo dos acordos firmados entre as autoridades moçambicanas e aquela instituição de Bretton Woods.
O dinheiro que o Governo pagou corresponde aos financiamentos que Moçambique recebeu do FMI, para o financiamento à Facilidade de Crédito Rápido (2019), Financiamento de Crescimento Rápido (2020) e Facilidade de Crédito Alargado (2022).
“Estes programas tinham todos expirados e não se esperava financiamento adicional”, enfatiza-se na nota.





