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16 de March, 2026

Ataques Terroristas: Ruanda alerta para possível retirada de tropas de Cabo Delgado

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O Ruanda advertiu, no sábado, que poderá retirar as suas tropas destacadas na província de Cabo Delgado, caso não seja assegurado financiamento internacional suficiente para sustentar a missão de combate à insurgência, informou a agência Reuters.

As forças ruandesas foram destacadas para o norte de Moçambique em 2021, a pedido do Governo moçambicano, para apoiar o combate aos grupos insurgentes que actuam na região e que, nos últimos anos, provocaram milhares de mortos e deslocados.

A porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, afirmou, numa publicação na rede social X, que a sustentabilidade da presença militar no território moçambicano depende de “financiamento adequado e previsível”.

Segundo Makolo, caso o comando das Forças de Defesa do Ruanda (RDF) considere que o trabalho realizado pelas forças ruandesas em Cabo Delgado não é devidamente valorizado, poderá recomendar ao Governo o fim do acordo bilateral de combate ao terrorismo e a consequente retirada das tropas.

A posição surge depois de a agência Bloomberg ter noticiado que o apoio financeiro da União Europeia à missão deverá terminar em Maio próximo, sem planos imediatos para a sua renovação. Contactados pela Reuters, responsáveis da União Europeia em Bruxelas não comentaram a informação.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, reforçou a mesma posição, afirmando também na rede social X que Kigali está “pronto para deixar Moçambique se os seus esforços e conquistas não forem apreciados”.

Segundo o governante, o Ruanda investiu significativamente na missão e perdeu soldados no processo de apoio à estabilização de Cabo Delgado, contribuindo para restaurar a normalidade nas comunidades afectadas e permitir a retoma de um importante projecto de gás natural liquefeito na região.

Nduhungirehe acrescentou que o país não deve ser criticado, demonizado ou sancionado por nações que beneficiam dos progressos alcançados, embora não tenha especificado quais. O Governo moçambicano ainda não reagiu às declarações das autoridades ruandesas.

Refira-se, entretanto, que no início deste mês, os Estados Unidos impuseram sanções ao exército do Ruanda e a altos responsáveis militares devido ao seu alegado envolvimento nos combates em curso no leste da República Democrática do Congo.

Kigali tem rejeitado reiteradamente as acusações da República Democrática do Congo, das Nações Unidas e de potências ocidentais de que apoia o grupo rebelde AFC/M23 naquele país.

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