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5 de February, 2026

Cheias danificaram mais de 550 Km de estradas em Gaza

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As cheias e inundações que assolam a província de Gaza continuam a provocar elevados prejuízos, afectando gravemente a população, a produção agrícola, o sector da educação e as principais infra-estruturas rodoviárias.

Mais de 55 mil famílias permanecem sitiadas em várias aldeias do distrito de Chibuto, uma situação agravada pela queda da ponte de Guele-guele, infra-estrutura reconstruída após as cheias de 2013 e que voltou a ceder, dificultando sobretudo o acesso a alimentos e bens essenciais. Actualmente, a travessia é feita apenas por embarcações privadas, que cobram pelo menos 300 Meticais por cada viagem, valor considerado proibitivo.

Dados da ANE (Administração Nacional de Estradas) indicam que as cheias danificaram mais de 550 Km de estradas, na província de Gaza. Até ao fim desta quarta-feira, decorriam os trabalhos de abertura de um desvio para reposição da transitabilidade no troço Cruzamento R445/R448 Manjangue-Barragem de Macarretane, no distrito de Chókwè.

Segundo a ANE, as obras visam garantir a ligação entre o distrito de Chókwè e os distritos de Guijá, Mabalane, Mapai, Chicualacuala, Massangena e Xigubo. Actualmente, a via está intransitável devido ao desabamento de uma estrutura e cortes diversos causados pelas cheias e inundações.

Igualmente, estavam na fase conclusiva os trabalhos de reposição da transitabilidade na N1, concretamente, na baixa de Nguluzane, na cidade de Xai-Xai, que continua a registar uma forte corrente das águas, impossibilitando a retoma da ligação rodoviária entre a zona alta e a zona baixa da capital provincial de Gaza.

Aliás, em comunicado emitido na tarde de ontem, a ANE explicava que ainda não estavam criadas as condições para abertura ao tráfego, pois, “há troços da estrada N1, na Baixa de Xai/Xai, que continuam alagados, cuja transitabilidade não é segura, podendo existir áreas com infraescavação ou buracos que podem provocar incidentes na circulação segura de veículos”.

Neste momento, a ligação rodoviária do país (norte-sul e vice-versa) é garantida pela N220, que liga a localidade de Chissano, no distrito de Limpopo, a cidade de Chibuto, conectando com a N102, que liga os distritos de Chibuto e Chongoene. A via foi reaberta no domingo.

Segundo o Edil de Xai-Xai, Ossemane Adamo, a reabertura da N1 poderá aliviar mais de 120 camiões que permanecem paralisados na cidade, além de permitir aos munícipes daquela autarquia a ter acesso às suas residências, muitas das quais permanecem submersas há mais de duas semanas.

Em entrevista à STV, o Edil de Xai-Xai descreveu o cenário como uma verdadeira catástrofe, com ruas, passeios e sistemas de abastecimento de água severamente afectados. Estima-se que cerca de sete mil infra-estruturas, entre residências, estabelecimentos comerciais, armazéns, fábricas e edifícios do Estado, tenham sido afectadas pelas cheias.

Já no sector da educação, os dados do Governo provincial indicam que pelo menos 280 escolas se encontram inundadas, sitiadas ou a funcionar como centros de acomodação, afectando cerca de 100 mil crianças e três mil professores.

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