A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera a recente redução da taxa de juro de política monetária (Taxa MIMO) de 9,50% para 9,25%, pelo Banco de Moçambique, uma medida favorável à melhoria gradual das condições de financiamento na economia.
Em comunicado, a CTA defende que a decisão poderá beneficiar as empresas, através de juros mais baixos no financiamento de investimentos, reforço do capital de exploração e maior previsibilidade na gestão financeira, factores cruciais num contexto de recuperação económica.
“Todavia, a CTA entende que a medida se revela ainda excessivamente conservadora, considerando os desafios profundos que o tecido empresarial enfrenta, resultantes dos choques económicos dos últimos anos, agravados recentemente pelos impactos das cheias, que afectaram infra-estruturas, cadeias de abastecimento e a capacidade produtiva de muitas empresas”, lê-se na nota.
Para maximizar os efeitos positivos da política monetária sobre a economia real, a CTA defende ainda que “a redução da taxa MIMO deve ser acompanhada por intervenções mais activas no Mercado Cambial Interbancário, nomeadamente através do aumento da injecção de divisas, de modo a aliviar a pressão cambial, reduzir custos de importação e criar um ambiente mais estável para o planeamento empresarial”.
No entender da classe empresarial, a conjugação destas medidas reforçaria significativamente o impacto da política monetária sobre o sector produtivo. A CTA chama igualmente atenção para o agravamento do endividamento público interno, que continua a exercer pressão sobre o mercado financeiro nacional.
Dados do Banco de Moçambique revelam que a dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 485 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 1 mil milhões de Meticais em relação a Dezembro de 2025.
Para a CTA, o endividamento público limita a capacidade dos bancos de canalizarem recursos para o sector privado, afectando, de forma particular, as micro, pequenas e médias empresas, que dependem do crédito bancário para crescer, inovar e gerar emprego.
Neste contexto, os empresários reiteram a necessidade de políticas macro-económicas mais equilibradas e coordenadas, que promovam maior disponibilidade de crédito ao sector privado, taxas de juro mais competitivas e um ambiente financeiro favorável ao investimento produtivo, condição essencial para a retoma sustentável da economia moçambicana. (Carta)





