O Partido Aliança Nacional Para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) afirmou, na quarta-feira (21), que suspendeu todas as suas actividades políticas, para se dedicar exclusivamente ao apoio às vítimas da situação calamitosa que afecta várias famílias moçambicanas, sobretudo, nas províncias de Maputo e Gaza.
A posição foi avançada por Abdul Nariz, assessor de comunicação do ANAMOLA, durante uma conferência de imprensa realizada na cidade de Maputo.
“A primeira medida foi a abertura de todas as sedes do partido ANAMOLA, a todos os níveis, desde o provincial até aos bairros, e esta medida estendeu-se inclusive às residências dos nossos coordenadores”, disse Nariz.
De acordo com a fonte, várias famílias encontram-se actualmente acolhidas em casas de dirigentes do ANAMOLA, tanto na cidade e província de Maputo como na província de Gaza.
“Temos, por exemplo, 49 pessoas acomodadas na residência do coordenador provincial de Gaza, para além de um número elevado de famílias acolhidas em Xai-Xai”, referiu.
A segunda medida, explicou Nariz, consistiu no encerramento das actividades políticas para permitir uma intervenção humanitária directa. “Entendemos que este era o momento de abandonar a política e servir o povo, resgatar pessoas em zonas alagadas e apoiar famílias que perderam completamente as condições de viver nas suas casas”, afirmou, acrescentando que muitas dessas famílias “não tinham sido previamente informadas nem encaminhadas para locais seguros pelas autoridades competentes”.
O partido voltou a criticar o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGD), alegando que existiam dados desde Setembro de 2025 sobre o risco de cheias na região sul e centro do país. “Havia conhecimento prévio da calamidade, mas as famílias foram apanhadas completamente desprevenidas”, sustentou.
No terreno, o ANAMOLA diz ter apoiado, no dia 17 de Janeiro, pelo menos 17 famílias no bairro da Mafalala, com alimentos, apoio financeiro e assistência básica. “Encontrámos famílias em situação de fome, de risco e com problemas graves de saúde”, relatou Nariz, sublinhando que o apoio naquele bairro “continua até ao presente momento”.
Em Hulene B, a situação foi descrita como “ainda mais grave”. “Há famílias que vivem submersas há mais de dois anos. Sempre que chove, convivem com lixo, águas contaminadas, répteis e outros animais que colocam a vida em perigo”, denunciou, referindo ainda o receio das famílias em abandonar as suas casas devido a experiências anteriores de reassentamento mal-sucedidas.
Na Matola, o partido esteve presente nos bairros de Nkobe e Matola C, onde acolheu cerca de 20 famílias na sede provincial, fornecendo cestas básicas, medicamentos, água, vestuário e utensílios domésticos. “Estas famílias perderam tudo. Não têm roupa, não têm louça, não têm absolutamente nada”, disse.
O ANAMOLA relatou igualmente acções na Manhiça, onde apoiou famílias acolhidas numa igreja baptista, e na Escola 3 de Fevereiro, onde se encontram cerca de 705 pessoas, correspondentes a mais de 300 famílias. “Entregámos cestas básicas, água e deixámos mensagens de esperança, porque estas pessoas precisam mais do que bens materiais”, afirmou.
Entre as principais dificuldades enfrentadas, o partido destacou a resistência das famílias em abandonar as suas casas, problemas logísticos e alegada partidarização da ajuda humanitária.
Abdul Nariz denunciou um episódio ocorrido numa escola primária em Laulane. “As famílias que ANAMOLA tinha acomodado foram expulsas à noite, com chuva, por uma equipa que incluía o SERNIC e a direcção distrital da Educação”, contou.
Segundo o partido, situações semelhantes repetiram-se noutros pontos, incluindo bloqueios à circulação da comitiva do presidente do ANAMOLA quando se dirigia a prestar apoio. “Estamos numa situação de calamidade e a ajuda humanitária não deve ter cor partidária”, frisou Nariz, acrescentando que “o povo moçambicano precisa de união e compaixão, não de perseguições”.
O ANAMOLA reafirmou que continuará a identificar famílias em zonas de risco e a prestar apoio humanitário, apelando à participação da classe empresarial e, em particular, dos profissionais de saúde. “Existem pessoas em situação clínica bastante crítica e precisamos urgentemente de médicos e enfermeiros no terreno”, concluiu.





