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21 de January, 2026

Governo não usou a informação meteorológica e hidrológica que tinha desde Agosto – defende Venâncio Mondlane

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O ex-candidato presidencial e Presidente da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), Venâncio Mondlane, defende que o desastre humanitário que se assiste na zona sul do país deve-se à negligência do Governo, que não usou devidamente a informação meteorológica e hidrológica que detinha desde Agosto de 2025.

Falando na manhã desta terça-feira, a partir do distrito da Manhiça, onde se encontrava a fazer monitoria aos estragos causados pelas cheias, Mondlane sublinhou que desde Agosto do ano passado que o Governo dispunha de informação suficiente para evitar o desastre que se assiste nos distritos de Chókwè, Chibuto e Guijá, na província de Gaza.

É que, até àquele mês, diz o segundo candidato mais votado das eleições presidenciais de 2024, o Governo sabia que as barragens dos países a montante, como África do Sul, estavam a atingir a sua capacidade de encaixe, o que já indicava que haveria descargas das águas em quantidades acima do normal durante a época chuvosa.

Igualmente, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alertava, já em Setembro, para a possibilidade de ocorrência de chuvas acima do normal durante os meses de pico da época chuvosa. “Com essas informações, era possível fazer o Plano de Contingência, mas não se fez nada. Isto é, temos informação meteorológica e hidrológica e não fazemos planos de contingência adequados para isso”, defendeu Mondlane.

Segundo o político, com as informações partilhadas atempadamente, o Governo devia ter mobilizado meios de resgate há muito tempo, assim como mobilizar, com antecedência, a população a abandonar as zonas de risco. “Por exemplo, os helicópteros e barcos deviam estar no país e em lugares estratégicos há muito tempo. Devíamos ter stock de alimentos, medicamentos e profissionais de saúde treinados e em prontidão, para além de ter os locais de acolhimento identificados e preparados para receber as pessoas”, afirmou.

Para minimizar o desastre humanitário causado pelas recorrentes cheias e inundações urbanas, Mondlane entende que deve haver uma planificação urbana; um investimento nas infra-estruturas de saneamento; e um combate cerrado à corrupção.

“Nos últimos 50 anos, Moçambique recebeu 5 biliões de USD para combater os efeitos das mudanças climáticas e investir no saneamento. Sem corrupção, o dinheiro que Moçambique já recebeu teria reduzido o impacto das cheias em pelo menos 70%”, defende Mondlane, que desde sábado se tem desdobrado pelas áreas afectadas pelas cheias e inundações, na cidade e província de Maputo.

Refira-se que Moçambique está em Alerta Vermelho desde a passada sexta-feira, devido às cheias e inundações urbanas causadas pelo transbordo dos rios (Umbelúzi, Incomáti, Save, Limpopo e Búzi) e pelas chuvas intensas que caem nas regiões sul e centro do país há quase duas semanas. Mais de 500 mil pessoas, nas províncias de Maputo e Gaza, estão afectadas pelas cheias e inundações, sendo que centenas de famílias continuam sitiadas nos distritos de Chókwè, Chibuto e Guijá, na província de Gaza. A Estrada Nacional Nº 1 está cortada em três locais devido ao galgamento do pavimento pelas águas dos Rios Incomáti e Limpopo.

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