O Governo considera “crítica”, a situação das cheias e inundações que se verificam na região sul do país e centro do país, em resultado das chuvas intensas e consequente subida dos caudais das principais bacias hidrográficas, com destaque para os rios Limpopo, Incomáti, Umbelúzi, Save e Búzi.
O facto foi avançado esta tarde pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no primeiro briefingdo Executivo após as cheias que afectam os distritos de Mapai, Mabalane, Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-Xai, na província de Gaza; Manhiça, Magude, Moamba, Marracuene, Boane e Namaacha, na província de Maputo; Govuro, em Inhambane; e Machanga e Búzi, na província de Sofala.
Segundo Inocêncio Impissa, os actuais nível e volume das águas poderão prevalecer por um período considerável de pelo menos duas semanas, pelo que apela às populações afectadas a seguir as informações e orientações “emanadas pelas autoridades competentes, sobre o ponto de situação dos eventos, com vista a evitar mais perdas e danos”.
De acordo com os dados divulgados pelo Governo, até ao momento, foram afectados um total de 594.681 pessoas nas províncias de Gaza e Maputo e na Cidade de Maputo, sendo que 330.390 pessoas estão na província de Gaza e 264.291 na província e cidade de Maputo.
Para acomodar de forma transitória e assistir às populações desalojadas, foram criados um total de 14 centros na província de Gaza, que acomodam um total de 38.164 pessoas; 19 centros na Cidade de Maputo, que albergam, até ao momento, 4.011 pessoas; e 27 centros na província de Maputo, que acolhem, até esta altura, 13.347 pessoas.
O Governo afirma que, para as operações de busca, resgate e salvamento, bem como para o transporte logístico, conta com 14 embarcações, seis helicópteros e quatro aeronaves. “No entanto, o apelo continua para que mais apoios possam ser canalizados pelas vias apropriadas para se juntar aos esforços em curso”, defende o Executivo.
Sobe para 106 o número de mortos desde o início da época chuvosa
Na conferência de imprensa concedida a partir do Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, no distrito de Chongoene, na província de Gaza, Impissa anunciou que desde o dia 22 de Dezembro de 2025, o país registou lamentavelmente 11 óbitos.
Entretanto, desde o início da época chuvosa, que iniciou em Outubro, houve registo de 106 óbitos, causados por diversos fenómenos, nomeadamente: 57 descargas por atmosféricas; duas por electrocução; 27 por afogamento e arrastamento; dois por desabamento de paredes; duas por queda de árvores; um por incêndio; e 15 por cólera. Pouco mais de 500 mil pessoas foram afectadas, havendo cerca de 4.000 casas parcialmente inundadas e mais de 2.567 casas totalmente destruídas.
Para além de causar mortes e destruição de residências, as cheias e inundações deixaram várias estradas intransitáveis. Só na província de Gaza, as cheias causaram a interrupção da circulação rodoviária no troço Xai-Xai e Chicumbane, na Estrada Nacional Nº 1, devido ao transbordo do caudal do rio Limpopo. Igualmente está interrompida a circulação de carros e pessoas nos troços Chilembene-Maniquenine; Chissano-Chibuto; Chibuto-Guijá; Xai-Xai-Chilaulene; Macia-Chókwè; Chókwè-Macarretane; Caniçado-Mapai-Chicualacuala; Mapai-Machaila; e Chinhacanine-Nalaze; e Muzengane-3 de Fevereiro. (Carta)





