Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

14 de January, 2026

Munícipes de Maputo e Matola voltam a enfrentar drama causado pelas chuvas

Escrito por

As chuvas intensas que se registam nos últimos dias na região sul do país voltaram a colocar a nu a pobreza de saneamento a que está mergulhada a população dos municípios da Matola, Matola-Rio, Boane e Maputo, ao deixar, mais uma vez, bairros alagados, vias intransitáveis e centenas de famílias em situação de vulnerabilidade.

Por exemplo, em Boane, concretamente na localidade de Mulotana, os moradores vivem momentos de grande aflição, devido ao galgamento das águas do Rio Matola, facto que agravou as já péssimas condições de transitabilidade na via que liga aquela localidade ao bairro de Malhampsene, no município da Matola. Sem vias alternativas e com as viaturas impossibilitadas de chegar ao destino, a população recorre a tractores para atravessar o rio Matola.

Já na Machava Km 15, no município da Matola, mais de oito quarteirões permanecem em situação crítica. As chuvas inundaram várias residências e tornaram as ruas completamente intransitáveis. Desesperados, os moradores pedem ajuda às autoridades e não descartam a possibilidade de reassentamento.

Aliás, naquela região do município da Matola, a situação não só afecta as residências, mas também a famosa Avenida Josina Machel (pelas sucessivas péssimas qualidades das obras de reabilitação da via), que liga os bairros de Infulene e Matola-Gare. A estrada encontra-se completamente engolida pelas águas, facto que impossibilita a circulação do transporte público de passageiros desde a última segunda-feira.

Situação idêntica vive-se nos bairros da Liberdade e Tsalala, onde a precariedade das vias obrigou à suspensão temporária do transporte público. Várias famílias viram-se forçadas a abandonar as suas casas devido às inundações, uma situação que se repete a cada época chuvosa naquele bairro da capital da província de Maputo.

Já na capital do país, concretamente no bairro de Hulene A, os residentes estão também a abandonar gradualmente as suas residências para viver em busca de abrigo seguro, devido às águas das chuvas que invadiram várias casas, tornando-as inabitáveis.

Por exemplo, no quarto da senhora Benigna Alfredo Macuácua, a água quase atingiu o nível da janela. Nem a barreira improvisada à entrada foi suficiente para conter a fúria das águas. Desde domingo, ela e os seus filhos passam as noites em claro, sem saber quando poderão voltar a dormir com tranquilidade.

Laura Macuácua é outra moradora de Hulene A que relata episódios dramáticos devido ao impacto das chuvas. Conta que todos os anos é obrigada a abandonar a sua casa durante a época chuvosa. No ano passado, por exemplo, saiu em Janeiro e só regressou em Agosto, quando as águas baixaram. Este ano, o cenário não foi diferente e não sabe quando poderá regressar ao seu lar.

Aliás, Laura Macuácua conta que, no seu regresso, em 2025, a casa estava vandalizada por malfeitores, que tiveram a ousadia de lhe roubar toda a instalação eléctrica, obrigando-a a viver à luz de velas desde então.

Na Polana Caniço A, próximo à Avenida Julius Nyerere, nas “barbas” do centro da capital do país, a situação é ainda mais dramática. Várias casas correm risco de desabamento devido às crateras que se abriram em algumas ruas do bairro, que há anos pedem intervenção. As famílias pedem socorro urgente ao Conselho Municipal da Cidade de Maputo. “Estamos a passar muito mal. Não conseguimos dormir porque há risco de perdermos tudo se continuarmos aqui. Mas também não sabemos para onde ir”, lamenta um dos moradores.

Já no bairro de Magoanine A, diversas famílias tiveram de regressar novamente aos centros de reassentamento, locais que anteriormente consideravam como suas residências. Porém, nos referidos centros voltam a enfrentar os velhos problemas: falta de comida; dormitórios; e material de protecção contra os mosquitos.

Os moradores queixam-se do abandono por parte do Edil de Maputo, Rasaque Manhique, que se mantém em silêncio perante o desespero da população. “A nossa rotina é sempre esta quando chega a época chuvosa: somos obrigados a abandonar as nossas casas e procurar abrigo nos centros de acomodação. Já pedimos ao Município de Maputo terrenos para recomeçar a vida, mas nada é feito”, lamenta Maimuna Munawe Salimo.

Maimuna Salimo diz ainda haver organizações não governamentais que visitam os centros, recolhem dados das famílias e depois desaparecem. “Acreditamos que o apoio chega, mas não a nós. Continuamos aqui a sofrer”, afirma a fonte, que denuncia também a vandalização das casas abandonadas, sobretudo, o roubo de instalações eléctricas.

Mahotas, Magoanine C, Zimpeto, George Dimitrov, Inhagoia e Luís Cabral são outros bairros da cidade de Maputo afectados pelas inundações, tal como os bairros de Nkobe, Machava Bedene, Mussumbuluco, Fomento, Matlemele, Matola A e Matola C, na Matola.

Visited 227 times, 1 visit(s) today

Sir Motors

Ler 165 vezes